NEM FREUD EXPLICA: Um dia após dizer que país “está quebrado”, Bolsonaro diz que Brasil está “uma maravilha”


O presidente Jair Bolsonaro (sem partida) mais uma vez acusa a imprensa de distorcer suas falas, falas usadas na íntegra nas manchetes, como quando disse a apoiadores na manhã de terça-feira (5): “O Brasil está quebrado. Eu não consigo fazer nada”, menos de 24 horas e após a repercussão negativa que isso gerou, o presidente voltou atrás e disse que o país está “uma maravilha”:

“Confusão ontem, você viu? Que eu falei que o Brasil estava quebrado. Não, o Brasil está bem, está uma maravilha. A imprensa sem vergonha, essa imprensa sem vergonha faz uma onda terrível aí. Para imprensa bom estava Lula, Dilma, gastava R$ 3 bilhões por ano para eles”, disse Bolsonaro na porta do Palácio da Alvorada.

O vídeo com a declaração foi publicado por um canal simpático ao presidente. Ontem ele havia dito:

“Chefe, o Brasil está quebrado, e eu não consigo fazer nada. Eu queria mexer na tabela do Imposto de Renda, teve esse vírus, potencializado por essa mídia que nós temos. Essa mídia sem caráter. É um trabalho incessante de tentar desgastar para tirar a gente daqui e atender interesses escusos da mídia”, disse o mandatário pela manhã, também em conversa transmitida pelo canal bolsonarista na internet.

A declaração destoa de posições apresentadas publicamente pela equipe econômica, que tem batido na tecla de que a atividade econômica do país está em plena recuperação, o que trará resultados positivos para a arrecadação de impostos.

No fim da tarde, Bolsonaro disse que “a gente não tem recursos para investir” e voltou a falar de sua promessa de campanha de atualização da tabela de Imposto de Renda.

“Eu queria mexer na tabela do Imposto de Renda. O cara me cobra: ‘compromisso de campanha’. Mas não esperava esta pandemia pela frente. Nos endividamos em aproximadamente R$ 700 bilhões. Complicou mexer nisso aí”, afirmou no fim da tarde.

Ele também afirmou que uma das explicações para o desemprego no país é que parte dos brasileiros não tem preparação para fazer “quase nada”.

“Então, [o Brasil] é um país difícil trabalhar. Quando fala em desemprego, né, [são] vários motivos. Um é a formação do brasileiro. Uma parte considerável não está preparada para fazer quase nada. Nós importamos muito serviço”, disse o presidente.

A retomada do emprego ainda é dúvida, mesmo com a geração recorde de vagas com carteira em novembro.

No total, o desemprego bateu novo recorde em novembro, atingindo 14 milhões de brasileiros.

A taxa de desocupação chegou a 14,2%, o maior percentual da série histórica da Pnad Covid, pesquisa do IBGE iniciada em maio para mensurar os efeitos da pandemia no país.

Esse indicador considera o mercado informal de trabalho, autônomos e funcionários públicos.

Na manhã desta quarta, ele reuniu 17 de seus 23 ministros no Palácio do Planalto. O ministro da Economia, Paulo Guedes, que está de férias, também participou do encontro, que durou cerca de uma hora e meia.

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André Diogo

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