Em meio ao caos da pandemia, Bocalom dispensa licitação e contrata agência de publicidade por R$ 600 mil


O prefeito de Rio Branco, Tião Bocalom (Progressistas) dispensou licitação e contratou em caráter emergencial a agência de publicidade Cidade, que foi responsável por sua campanha eleitoral, o valor do contrato é de R$ 600 mil.

Publicado no Diário Oficial do Estado (DOE), a contratação vem um dia após a polêmica de compras de medicamentos sem nenhuma eficácia comprovada contra a Covid-19 denunciadas pela vereadora Michelle Melo (PDT) em sessão na Câmara Municipal (CMRB) nesta terça-feira (23). Foram no total R$ 728 mil gastos em azitromicina e ivermectina, que tiverem seus usos condenados pela Associação Médica Brasileira (AMB).

Contrato no valor de R$ 600 mil terá duração de 90 dias. Imagem/DOE

A prefeitura chegou a justificar que a agência também ficará responsável por difundir material de campanha educativa “em proteção aos bens da vida, saúde, educação e do meio ambiente”. No total, a empresa de publicidade receberá por 90 dias de serviços prestados, com valores equivalentes a R$ 200 mil por mês. Vale ressaltar que em teoria, não há nenhum ato ilegal na contratação da agência. Embora ela ocorra em momentos de situação crítica na capital acreana.

Segundo o boletim da Covid-19 da Secretaria de Estado de Saúde (Sesacre) nesta quarta-feira, Rio Branco tem até o momento 30.658 casos confirmados de infecção pelo novo coronavírus, quase metade do índice de todo o Estado, além disso, são 741 mortos em um cenário de colapso com 16 pessoas esperando por uma vaga de UTI.

📷: Equipe cuidou da campanha eleitoral de Bocalom — Arquivo pessoal/Facebook

O processo de vacinação é outro ponto que vem causando desgaste no executivo municipal, a ponto de o governador Gladson Cameli (Progressistas) anunciar a compra de 700 mil doses da vacina russa Sputnik V e garantir que a aplicação será feita pela Sesacre, e não pela Secretaria Municipal de Saúde (Semsa).

Além dos gastos com os medicamentos e a agência de publicidade, Bocalom também gerou polêmica pela quantidade de viagens realizadas a Brasília (DF) somente nesse início de gestão, segundo o vereador Emerson Jarude (MDB), o prefeito recebeu R$ 15 mil em diárias entre os dias 2 de fevereiro e 3 de março, um valor maior do que o salário do chefe do executivo. Bocalom, no entanto, afirma que recebeu R$ 8,4 mil.

📷: Emerson Jarude e Tião Bocalom

Direito de resposta

O Correio 68 tentou entrar em contato com três pessoas ligadas à assessoria da prefeitura e com o próprio prefeito Tião Bocalom para questionar a necessidade do contrato, tendo em vista as prioridades sanitárias que a capital acreana hoje necessita e dar o devido direito de resposta. Dos três assessores, dois ignoraram completamente o questionamento e outro recomendou falar diretamente com o prefeito. Até o fechamento desta reportagem, Bocalom não atendeu e tampouco retornou as ligações.

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André Diogo