Acordo branco
Existe no mundo da política uma espécie de “acordo branco”, que faz com que adversários e até mesmo alguns analistas, peguem leve quando alguém assume o executivo, seja do município, estado ou país. Via de regra, espera-se três meses para que se faça uma oposição mais sistemática ou uma análise mais detalhadas.
90 dias
Nesta semana, mais precisamente na quarta-feira (31), os prefeitos eleitos no pleito de 2020 completaram 90 dias à frente da administração de suas cidades.
Bom começo
Nas duas maiores cidades acreanas, a capital Rio Branco e Cruzeiro do Sul, respectivamente, dois novos gestores foram eleitos pela população, Tião Bocalom e Zequinha Lima. Se na capital a coisa ainda não engrenou, dando inclusive sinais de que não irá engrenar, na “capital do Juruá” parece que a coisa está indo bem. Com todas as pessoas de lá que converso, ouço sempre elogios à gestão do prefeito.
Mau começo
Em Rio Branco estamos indo no sentido oposto ao de Cruzeiro do Sul, com todas as pessoas -que não fazem parte da gestão- que converso, ouço pessimismo e arrependimento. O “velho Boca” definitivamente não tem agradado a maioria dos moradores da capital. Pelo menos os que eu converso. E eu converso com gente das mais variadas idades e classes sociais. Só quem eu vejo elogiando esse começo de gestão são os detentores de cargos comissionados.
Tiro, porrada e bomba
As decisões iniciais de um líder ou gestor podem ter grande impacto nas impressões que as pessoas têm dele. E sejamos francos, algumas decisões tomadas pelo prefeito Bocalom e sua equipe tem deixado uma péssima impressão. A gestão de Bocalom já anda sendo apelidada pelos bastidores de “administração tiro, porrada e bomba”.
Porrada nos garis
No dia 15 de março garis que protestavam pacificamente contra dois meses de salários atrasados, foram tratados como marginais e até gás de pimenta fora usado pelo Batalhão de Choque da Polícia militar para afastar “tamanho perigo”. No dia seguinte o prefeito, orgulhoso do ocorrido, fez questão de dizer na TV que ele mesmo havia chamado o batalhão de Choque e que chamaria novamente quantas vezes fosse preciso.
Porrada nos camelôs
No último dia de março (31), dia em que completou 90 dias de gestão, a cereja do bolo: vendedores ambulantes foram agredidos por agentes da prefeitura e mais uma vez a polícia foi acionada pela prefeitura, para acabar com o “perigo”. Dois trabalhadores informais foram conduzidos à delegacia.
Haja peia
Com o Bocalom é como diz o provérbio popular: “É peia para comer sabão e peia para saber que sabão não se come”.
Desmentido
A vacinação contra o coronavírus em Rio Branco está lenta e tumultuada. A prefeitura, em pleno pico de mortes e novos casos da doença, resolveu “descansar” e não vacinar aos sábados e domingos. Foi preciso uma grande comoção popular para que voltasse atrás e vacinasse a população também aos finais de semana. Mas antes disso, o secretário de saúde, Frank Lima, tentou jogar a culpa pela não vacinação na Secretaria de Saúde do Estado e fora desmentido publicamente.
Dr. Cloroquina
E enquanto a vacina caminha a passos de tartaruga, o prefeito Bocalom continua a defender o já comprovadamente ineficaz, tratamento precoce.
Piada pronta
Essa eu ouvi de um comerciante da Estação Experimental: “se o Bocalom está dando porrada em garis e ambulantes, imagine se eu não pagar o meu IPTU em dia”. Eu não quero nem imaginar.
Presente
O governador Gladson Cameli sinalizou que, este talvez seja o último final de semana com comércio fechado. Este tipo de medida sempre irá agradar alguns e desagradar outros. Governar é isso. Mas é fato que, desde o início da pandemia o governador tem se desdobrado em tentar salvar vidas e amenizar o sofrimento de famílias dilaceradas pela doença. Errar e acertar faz parte. O que não pode é se omitir. E verdade seja dita: podem chamar o governador Gladson de tudo, menos de omisso.
Nosso Nelson de cada dia
“No Brasil, quem não é canalha na véspera é canalha no dia seguinte.” (Nelson Rodrigues)




















