Um fato revoltante aconteceu durante o processo de vacinação contra a Covid-19 no posto da Vila Ivonete na manhã desta segunda-feira (31), em Rio Branco. Uma internauta identificada como Sara Braga, usou o seu perfil pessoal no Twitter para afirmar que foi impedida de levantar uma placa em protesto contra o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) ao ser imunizada.
A reportagem do Correio 68 entrou em contato com Sara para apurar o que aconteceu. Segundo o relato, um servidor que organizava as filas para a vacina se revoltou ao ver que ela tentava tirar uma foto com os dizeres “Fora Bolsonaro!” em uma placa, afirmando que o local não era para “palhaçada” e nem para “liberdade de expressão”.
Constrangida, Sara teve apoio dos profissionais de saúde que estavam presentes: “os enfermeiros ficaram ao meu lado, mas ele continuou sendo grosseiro. Estou chorando muito! Chorando porque isso se tornou algo comum”, disse.
Ela conta que tanto o enfermeiro que aplicou a dose da vacina, quanto a assistente que preenchia as informações na carteirinha, tentaram falar com o rapaz, um deles chegou a dizer: “se ela quiser trazer um cartaz e colocar na testa, ela pode”. Mesmo com a defesa dos enfermeiros e técnicos, o rapaz seguiu visivelmente incomodado com o manifesto político, Sara conta que chorou com a situação: “por alguns segundos, aquele senhor teria me agredido sim”.

O descaso com Sara aconteceu poucos dias após os protestos contra o governo Bolsonaro que aconteceram em 22 capitais do país no último sábado (29), os manifestantes cobram do presidente o fato de ter ignorado a aquisição de vacinas ainda no ano de 2020, o que certamente contribuiu para o aumento significativo no número de mortes pela Covid-19. Durante a manifestação, foram lembrados falas de negacionismo e minimização da pandemia. Sobre as manifestações, Bolsonaro declarou que “faltou erva e dinheiro”.
O descaso na compra de vacinas foi confirmado na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) no Senado, que apura as ações do governo federal durante a pandemia, pelo gerente-geral da farmacêutica Pfizer na América Latina, Carlos Murillo, que afirmou que o presidente rejeitou três ofertas de 70 milhões de doses da vacina e também pelo presidente do Instituto Butantan, que fabrica a CoronaVac, Dimas Covas.
O advogado Thalles Vinícius, que representa Sara, declarou ao Correio 68 que ela já registrou um Boletim de Ocorrências (BO) na Polícia Civil, para apuração do crime de abuso de autoridade:
“A situação tem implicações nas esferas penal, cível e administrativa, o primeiro ato foi registrar o BO para apurar o cometimento de crime de abuso de autoridade. Ele [servidor] não tinha amparo legal nenhum para impedir que ela fizesse aquele ato, que era uma manifestação individual, silenciosa, sem baderna, de forma que não constrangesse ninguém e sem depredar o patrimônio público. Foi algo injustificável da parte dele”.
Thalles afirma ainda que a defesa irá comunicar a coordenação da URAP da Vila Ivonete para que seja aberto um processo administrativo disciplinar contra o servidor: “ele também cometeu uma infração ético-disciplinar ao não tratar ela com urbanidade”. E conclui dizendo que será ajuizado uma ação contra o município por conta dos danos morais que ela sofreu: “algo totalmente injustificável, na frente de várias pessoas”.
Manifestações contra o presidente Jair Bolsonaro ocorrem durante o processo de vacinação em todo o país.
Fui vacina no posto da Vila Ivonete e um Sr q trabalha lá não me deixou levantar a plaquinha que eu levei.. discutiu comigo, veio pra cima de mim.
Mesmo assim, levantei a plaquinha e ele se meteu na foto e foi pra cima da moça q tirava a foto pra mim.
E discutimos mais.— sara braga (@sarabragam) May 31, 2021




















