Depois dos banheiros “unissex” da Universidade Federal do Acre (Ufac) virarem pauta quase que principal de um dos debates para prefeito de Rio Branco nas eleições de 2020, o assunto da vez é um projeto apresentado pelo músico Anderson Cassidy de Alves Montenegro, chamado “Papai Noel Gay”, aprovado pela Fundação Municipal de Cultura, Esporte e Lazer Garibaldi Brasil (FGB).
Os projetos foram aprovados pela Análise Técnica, na área de Música, conforme prevê o Edital n.º 01 do Fundo Municipal de Cultura, instituído no âmbito do Sistema Municipal de Cultura. As custas do musical poderá ser de R$ 15 mil e deverá ser autorizado ou não pelo prefeito Tião Bocalom (Progressistas), que já se pronunciou em desfavor.
Diante da possibilidade, o ex-presidente da FGB, o cineasta Sérgio de Carvalho, usou seu perfil pessoal no Facebook para falar que caso Bocalom interfira na seleção dos projetos estará cometendo censura.
“Se o prefeito Bocalom interferir na seleção dos projetos da Fundação Garibaldi Brasil e pedir o arquivamento da proposta “Papai Noel Gay”, como se pronunciou, irá ferir o Sistema Municipal de Cultura e passar por cima, de forma arbitrária, inédita e autoritária, do Fórum de Cultura e de todos os participantes que indicaram a Comissão de Avaliação. Será CENSURA! Que nunca aconteceu em toda a história da FGB”, disse.
Sérgio de Carvalho presidiu a FGB por quatro anos, iniciando em 2017 no segundo mandato de Marcus Alexandre (PT) e foi mantido pela ex-prefeita Socorro Neri. Como cineasta, é diretor da Saci Filmes, que entre suas obras, destacam-se os documentários Empate e Sabá, além das séries “O Olhar que vem de Dentro” e “Nokun Txai”, ambas podem ser conferidas no streaming Amazon Prime.
O ex-presidente afirmou ainda que “cabe unicamente à Comissão de Avaliação, indicada pelo Movimento Cultural, a seleção dos projetos por seu mérito técnico e qualidade artística. A ninguém mais”.
Ativista e membro da comunidade LFGBTQIA+, ele afirma temer que a medida abra precedentes para outros tipos de censura:
“Esta interferência abre precedentes terríveis, ameaçando futuramente qualquer projeto com temas LGBTQIA+, de Cultura afro-brasileira ou indígena, frente ao fundamentalismo religioso que assombra os poderes.
É inaceitável um projeto ser desclassificado desta forma. Um desrespeito à toda comunidade artística. É autoritarismo puro. Não conheço o proponente nem o teor do projeto, nem sua qualidade artística. Entretanto, arquivá-lo, unicamente por seu título é ditatorial. É um erro”.
A publicação finaliza dizendo:
“Coloco-me solidário ao proponente e aos avaliadores e espero que a FGB não cometa o crime de censurar um artista pelo título de seu projeto.
Posiciono-me porque a Censura deve ser sempre combatida. Sempre!
Qualquer projeto precisa ser avaliado pelos processos legais do Sistema Municipal de Cultura, somente é cabível desclassificação se ele ferir as regras do Edital e do Sistema.
Qualquer outro motivo é censura e homofobia”.




















