BLOG DO SIQUEIRA

Em viagens, Bolsonaro chega a gastar mais de R$ 2,5 milhões por ano com comidas de avião


O presidente Jair Bolsonaro (PL) desembarca em Rio Branco nesta sexta-feira (18) para cumprir agendas com a comunidade evangélica do estado. Na capital acreana, ele deve participar de reunião com representantes do agronegócio e da inauguração da TV da Rede Boas Novas, de propriedade da família Câmara, da ex-deputada Antônia Lúcia.

O ímã do caos – as visitas do presidente ao Acre sempre foram marcadas por polêmicas, desde a “metralhada de petistas” com um pedestal durante a campanha, a pergunta sobre corrupção envolvendo um de seus filhos – na qual fugiu de responder – até a aglomeração promovida em Sena Madureira, alvo de denúncia do MPF.

Prevendo mais problemas, o governador Gladson Cameli (PP) tomou suas precauções para a vinda do presidente, revogou durante a semana três decretos contra os avanços da Covid-19: a proibição de máscaras em locais abertos, os eventos com mais de 300 pessoas e por fim, a exigência do passaporte da vacina nos órgãos públicos. Em resumo, abriu as portas da lei para o negacionismo passar sem chamar a atenção.

Sem miséria – aproveitando o gancho da viagem de Bolsonaro ao Acre, foi divulgado pelo deputado federal de Goiás, Elias Vaz (PSB), em levantamento feito no portal da transparência, que o presidente gastou no ano de 2019 – o primeiro de seu mandato – um total de R$ 2.599.696,46 em comidas de avião. Realidade bem diferente dos churrasquinhos de rua, miojos no gabinete e pizza nas calçadas de Nova York. Nessas viagens, não há miséria.

Um falso Messias? Bolsonaro costuma usar e abusar de conceitos cristãos para sustentar suas ideias conservadoras. Em suma, tem conseguido apoio – como disse lá em cima, sua visita ao Acre é justamente à convite de uma comissão de representantes evangélicos. Mas há quem critique esse “cristianismo político”, o deputado Daniel Zen (PT), por exemplo, disparou: “não dá para ser cristão e bolsonarista ao mesmo tempo”. O que Cristo diria?


Pela porta dos fundos, foi assim que a direção do Cidadania no Acre definiu a saída do pré-candidato ao Governo e ex-presidente da sigla, David Hall. A decisão do professor foi tomada após ser aprovada a federação entre o partido e o PSDB. A saída, no entanto, já era algo previsível no Cidadania, que rapidamente já anunciou Carlos Leandro como novo presidente. Hall, ainda sem partido, garante que seguirá com a candidatura.

Mas quem é esse? Talvez a gente ouça falar mais sobre ele durante a campanha. Por hora, apesar das exigências e movimentações, David Hall ainda não conseguiu se consolidar como um nome forte em eleições, a maioria das pessoas sequer já ouviu falar nele, ainda que tenha sido candidato ao Governo em 2018, quando recebeu 1.215 votos – menos da metade do que recebeu a ex-candidata Janaína Furtado, da Rede Sustentabilidade.


O Acreano, além de se assustar ao olhar o preço do litro de gasolina nas bombas dos postos, precisa também se preparar para os impactos secundários, que são basicamente os aumentos de preços de outros produtos que são afetados pela alta dos combustíveis. A mais recente anunciada foi na aviação civil, a Latam informou a suspensão a partir de abril da rota Rio Branco/Brasília. A suspensão deve seguir até o final de junho. É mole?

Diretamente afetados, o povo insiste em tentar encontrar explicações para o fenômeno e foca menos na solução. A culpa é do PT ou do Bolsonaro? Sinceramente, não há tempo para definir algo que aconteceu por um conjunto de fatores. Dependendo do ângulo em que olhar, surge um novo culpado. O que queremos saber é: quem dará a solução?

 

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André Diogo