Na manhã desta terça, enquanto tomava meu café, li a notícia de uma operação da Polícia Civil do Rio de Janeiro, que em parceria com a Ancine, cumpre mandados de busca e apreensão contra sites de pirataria de TV por assinatura e serviços de streaming.
Segundo a polícia, os sites que são alvos da operação totalizam 46 milhões de acessos ilegais com prejuízo estimado a mais de R$ 100 milhões, principalmente pelas listas de IPTV.
Pra quem não sabe, IPTV é um sistema de transmissão de sinais através de redes de internet, a chamada ‘Sky Gato’. Você contrata pela internet, paga um valor que pode variar entre R$ 20 e R$ 50 por mês, dependendo do pacote, e acessa os canais através do smatphone, smarTV, consoles de videogames ou por um aparelho chamado TV Box. O serviço tem se tornado cada vez mais popular.
De fato, pirataria é crime e longe de mim tecer qualquer crítica ao trabalho policial. O que chama a atenção é a quantidade de pessoas que optam pelo serviço pirata ao invés de contratar as assinaturas legais. Combater alguns servidores que promovem o sinal pirata é uma solução temporária, mas quantos outros irão surgir?
OS CUSTOS
Streaming não foi feito para brasileiro. Prova disso são os valores cobrados pelas empresas, enquanto nos EUA, onde a renda é maior (vamos trabalhar em reais):
- Um salário mínimo de U$ 1.440 nos EUA pode ser convertido na cotação de hoje a R$ 6.701,00.
- A assinatura básica da Netflix lá custa U$ 9.90, convertido fica R$ 46
- Ou seja, com uma renda mínima de quase 7 mil, o americano paga uma assinatura de menos de 50
- Já o brasileiro, com salário mínimo de R$ 1.100, paga uma assinatura básica de R$ 28,70
A Amazon Prime, por exemplo, possui valores mais reais para brasileiros custando R$ 9,90 por aqui, enquanto cobram U$ 12.99 dos americanos.
Se falar de TV por assinatura então, os valores são completamente inacessíveis a quem tem renda baixa.
Acontece que no IPTV, por R$ 20, você tem acesso ao catálogo da Netflix, Amazon Prime e todos os canais por assinaturas em um único local. A pirataria, diferente do que ocorria na época dos DVDs, trouxe mais praticidade aos brasileiros.
Outro problema é que a assinatura básica limita o usuário ao extremo, na maioria dos serviços os melhores filmes tem valores adicionais, só pode ser acessado em uma tela e com qualidade inferior.
De fato, eu não uso os serviços piratas. É válido lembrar que o dinheiro pago vai parar nos bolsos do crime organizado, as empresas que geram entretenimento empregam milhares de pessoas em todo o mundo e dependem dos valores pagos pelas assinaturas para manter suas estruturas.
Mas fica a sugestão: não dá para melhorar um pouquinho para evitar que a pirataria seja uma solução abruptamente mais vantajosa?




















