MULHERES

ASSUSTADOR: Renda invisível, o trabalho doméstico das mulheres poderia valer R$ 834 por mês


A economia do cuidado escancara a desvalorização do trabalho doméstico não remunerado realizado majoritariamente por mulheres no Brasil

Imagine receber um salário todo mês apenas por cuidar da casa, preparar refeições, organizar a rotina familiar e cuidar dos filhos ou parentes doentes. Essa é a realidade invisível de milhões de mulheres no Brasil, que sustentam, silenciosamente, a economia do cuidado. Segundo novos dados, esse trabalho, se remunerado, representaria ao menos R$ 834 por mês para cada mulher.

A economia do cuidado é o nome dado ao conjunto de atividades essenciais que mantêm famílias e sociedades funcionando — porém sem retorno financeiro direto. Ainda assim, esse trabalho impacta diretamente o desenvolvimento econômico do país. Além disso, ao não ser reconhecido como uma atividade produtiva, acaba sobrecarregando as mulheres, afastando-as do mercado formal de trabalho e perpetuando desigualdades.

Enquanto muitas tarefas domésticas são consideradas naturais ou até mesmo “obrigação feminina”, a verdade é que elas exigem tempo, dedicação e esforço contínuo. Por isso, é fundamental compreender que a economia do cuidado não é apenas uma questão social, mas também econômica. Afinal, ela interfere no PIB, na renda familiar e na autonomia financeira das mulheres.

RENDA INVISÍVEL

Se pensarmos de forma prática, ao colocar um valor mínimo de R$ 834 para esse trabalho invisível, estamos reconhecendo seu peso. Contudo, mesmo esse valor é apenas uma estimativa conservadora, já que a dedicação diária a tarefas como cozinhar, limpar, acompanhar consultas médicas e educar filhos não tem hora para começar nem para acabar.

Além disso, é preciso destacar que essa realidade tem implicações diretas na aposentadoria, na saúde mental e na progressão de carreira das mulheres. Por isso, políticas públicas que incluam compensações, redistribuição de tarefas e acesso a creches são medidas urgentes.

Reconhecer a economia do cuidado como parte da engrenagem social é o primeiro passo. Mas só isso não basta. É necessário transformar esse reconhecimento em ações concretas. É hora de discutir formas reais de remuneração, redução da jornada invisível e igualdade de oportunidades.

Valorizar o cuidado é valorizar a vida. O momento de agir é agora.

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André Diogo

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