Após viver Covid-19 na pele, deputado Marcus Cavalcante fala sobre internação e faz apelo: “tem que tomar providência”


Após ter sido internado por 10 dias após piora da Covid-19 em março, o deputado Marcus Cavalcante (PTB) voltou a participar das sessões na Assembleia Legislativa do Acre (Aleac) e nesta terça-feira (6) fez um desabafo em sua explicação pessoal sobre a situação da pandemia no estado.

Cavalcante lembrou que hoje faz um ano da morte de Antônia Holanda, que aos 79 anos se tornou a primeira acreana vítima fatal do novo coronavírus. Um ano depois, o número de óbitos está em 1.298, segundo boletim da Secretaria de Saúde do Acre (Sesacre). O deputado culpa o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) pela situação ter chegado a esse ponto.

“Há um ano ocorreu a primeira morte por Covid-19 no Acre e hoje já estamos chegando nos 1.300 que foram a óbito. Primeiramente, no início da pandemia o presidente da República não fez o seu papel de líder de uma nação. Não encarou com a seriedade devida, não procurou seguir os protocolos necessários, as orientações necessárias naquele momento importante que foi o início da pandemia”.

O parlamentar relembrou das vezes em que Bolsonaro chamou a Covid-19 de ‘gripezinha’, apareceu em público sem máscara e não procurou negociar vacina com países em primeiro momento. Marcus Cavalcante falou sobre sua internação:

“Tenho certeza que pelo menos seis deputados daqui pegaram Covid-19, mas tenho certeza que ninguém pegou como eu peguei. Deputado Jenilson é testemunha disso. Você precisar de uma UTI e não ter, mesmo pagando particular. Porque, se eu fosse pro setor público talvez iria tirar a vaga de uma pessoa que precisava mais do que eu. Não é fácil essa doença. Passei dias difíceis e você vê na sua rua, na sua cidade, no seu círculo de amizade e parentes, pessoas morrendo”, disse.

O deputado conclui a fala pedindo mais responsabilidade e esforços para combater o vírus:

“Parece que ficamos frios em relação a isso, morreu mais um, mais dez, mais vinte. Precisamos do esforço de todos, situação, oposição, de centro. Precisamos do esforço de todos. Já teve semana com 59 óbitos, gente. Ninguém sabe quantos virão hoje, amanhã e depois. Vamos unir todos que podem ajudar, a força política. Quero aqui fazer um apelo, passei hoje por filas enormes nos bancos, um amontoado de pessoas, gente alguém tem que tomar providências disso urgentemente. Sei que as pessoas estão precisando do auxílio para comer, mas precisa viver antes para isso. Alguém tem que tomar alguma providência, separar esse povo. Gente sem máscara, eu vi. É um absurdo, tem que ter fiscalização efetiva, só quem teve internado pode dar um depoimento desses”.

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André Diogo