ARTIGO DE OPINIÃO
Em reunião em São Paulo na última sexta-feira, o PT e PSB, de Lula e Geraldo Alckmin, afirmaram a aliança polêmica que segundo eles pretende “reconstruir o país, recuperar a economia, gerar empregos e combater à fome”.
A nível nacional, a polêmica está em torno da inimizade histórica entre os dois protagonistas. Já em nível estadual, há uma indiferença entre os partidos que ainda precisa ser resolvida no Acre e outros três estados.
A chapa não é uma novidade em Rio Branco, foi uma aliança entre PT e PSB que venceu em primeiro turno as eleições de 2016, que trouxe Marcus Alexandre, disputando a reeleição e a professora Socorro Neri como vice. Juntos, tiveram quase o dobro de votos da segunda colocada, a ex-deputada Eliane Sinhasique, na época do MDB.
Curiosamente, assim como Alckmin, Socorro Neri também havia deixado o PSDB. A diferença é que enquanto os petistas votam em Lula torcendo para que que Alckmin não repita os passos de Michel Temer, Socorro já estava com carta assinada para assumir a gestão a partir de 2018, quando Marcus Alexandre encaminharia sua malsucedida candidatura ao Governo.
PUXANDO AS RÉDEAS
Foi a partir daí que se deu início a um desconforto entre PT e PSB. Ao assumir, Socorro puxou as rédeas da gestão, deixou claro que não seria uma marionete e com o peso de uma assinatura nada fácil de se dar no contexto político, encaminhou à Câmara um Projeto que desmontaria um esquema de “cabide de empregos” que funcionava nos últimos anos, reduzindo de 16 para 11 o número de secretarias. O objetivo era reduzir os gastos de manutenção da máquina pública em R$ 12,8 milhões no ano de 2019.
GEROU REVOLTA
A reforma cortou gastos e reduziu o número de cargos comissionados, o que consequentemente trouxe alívio financeiro para investimentos em infraestrutura. O problema é a mágoa deixado nos “cabeças” da gestão anterior, que viram na atitude de Socorro uma espécie de “traição”. Isso foi refletido nas eleições de 2020, quando o na época presidente do PT, Cesário Campelo Braga, declarou voto no segundo turno para Tião Bocalom, candidato que simbolizava naquela altura muito do que PT dizia combater, recebendo também apoio público do presidente Bolsonaro. A declaração de voto, claro, gerou uma onda de protestos virtuais e o ex-presidente, agora pré-candidato a deputado estadual volta e meia é cobrado pela desastrosa “gestão bocaloniana”.
NÃO FOI O CULPADO
Sobre esse assunto, é claro que Cesário não foi culpado pela eleição de Bocalom. Duvido muito até que tenha influenciado votos com sua carta carregada de revolta pessoal. Mas é fato que um dirigente partidário precisa defender sua ideologia acima de seus egos feridos. É como, por exemplo, ter que votar em Lula para derrotar Bolsonaro. Grande parte não quer, mas aceitará o preço.
COM QUE ROUPA EU VOU?
Jorge Viana parece ainda não ter decidido oficialmente para qual cargo disputará em outubro, o que é visto como uma pendência para a aliança. Suas chances maiores estão no Senado, onde as pesquisas lhe são favoráveis. Ao Governo, tentou discursar que está a frente das organizações da frente de esquerda, afirmando ter uma lista com três nomes, incluindo o do Drº Jenilson Leite, do PSB. A tese foi rechaçada pelo próprio médico que afirmou não fazer parte de lista nenhuma e que só conversaria com Jorge quando ele decidisse o que queria ser.
JÁ QUE LULA E ALCKMIN…
Não é descartada nem mesmo uma aliança com o senador Petecão, que durante o processo de impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff declarou no Congresso que seu desejo era ver o Brasil “livre do PT”. Jorge já foi perguntado sobre isso e com cautela apenas respondeu ao jornalista Luciano Tavares, do Notícias da Hora, que sempre defenderá a aliança e uma “frente ampla” para defender os interesses acreanos.
INDICATIVO
Na última sexta, Jorge indicou que pode confirmar a disputa ao Senado. Em uma publicação no Facebook ele conta sobre quando foi relator do Novo Código Florestal e como usou a tribuna do Senado para “defender os interesses dos acreanos”. Seria um aperitivo?
CARTA ‘ÀS’
A indecisão de Jorge Viana em decidir para qual cargo disputará sugere que o PT tem somente uma carta forte para ser usada nessa disputa. Em 2020, Daniel Zen não decolou recebendo apenas pouco mais de 7 mil votos para a prefeitura de Rio Branco, ficando em 5º lugar. Só para fins de comparação, quando o PT lançou o então desconhecido diretor do Deracre Marcus Alexandre pela primeira vez em 2012, ele recebeu mais de 85 mil votos.
VACAS MAGRAS
Se Jorge precisa hoje decidir para qual jogo colocará sua carta, as coisas nem sempre foram assim. Nas eleições de 2010 foi eleito o senador mais votado com mais de 200 mil votos. O resultado era tão previsível que nas campanhas víamos ele pedindo mais votos para o aliado Edvaldo Magalhães, do PCdoB, do que para ele mesmo. No final, Edvaldo perdeu a segunda vaga para Sérgio Petecão, que na época disputou pelo PMN.
JORGE E O PT
Que Jorge Viana é um fenômeno, não há dúvidas. O vejo como um dos poucos políticos que consegue separar o seu nome da reputação de seu partido. Não é difícil ouvir na rua alguém dizer que não votaria no PT “de jeito nenhum”, mas que votariam em Jorge Viana. Não é irônico, é fenômeno. Algo semelhante acontece com Lula.
NO AGUARDO
Enquanto isso, os acreanos e as executivas nacionais dos dois partidos aguardam a definição de como será essa disputa no Acre.
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