OPINIÃO
Bocalom ainda nem assumiu a prefeitura, mas já vem protagonizando polêmicas, durante a campanha do segundo turno quase “mata” os seus coordenadores do coração ao dar declarações a respeito da pandemia de Covid-19 e defender a ideia (fracassada) de imunidade de rebanho, há quem diga que se o segundo turno demorasse pelo menos mais duas semanas, a tão utópica virada de Socorro Neri (PSB) se tornaria uma realidade, não é à toa que a recomendação foi de que Bocalom não comparecesse ao debate da TV Acre. Esta semana, ele estampou as capas de grande parte dos jornais ao cogitar acabar com o subsídio da prefeitura que proporciona aos estudantes rio-branquenses passagens de ônibus a R$ 1.
FALA DEMAIS…
Bocalom que durante toda a campanha foi acusado pelos opositores de ser a figura esculpida do retrocesso, comete a tamanha “bola fora” de falar que pode acabar com as passagens de R$ 1 real para os estudantes da rede pública estadual e universitários, dizendo que aluno da rede estadual é responsabilidade do Estado e que a prefeitura não deveria arcar com esse custo. Cada entrevista, uma nova polêmica, seus assessores terão que lidar com uma cabeça dura que fala o que pensa, isso deve ser rotineiro no mandato…
CIDADÃO DO MUNICÍPIO X ESTUDANTE DO ESTADO
De fato, aluno da rede estadual é responsabilidade do Estado, mas o que se propõe não é que a prefeitura pague folha salarial, merenda escolar ou estrutura de escolas estaduais, mas sim, que estudantes – que são cidadãos rio-branquenses – tenham condições de arcar com o caminho até a escola, o serviço em questão é o transporte público coletivo, de expressa atribuição dos municípios e que tem caráter essencial. Coisa que Bocalom deve desconhecer, já que a prefeitura de Acrelândia não tem essa responsabilidade.
ME CHAMA QUE EU ENSINO!
Sobre toda essa polêmica da passagem de ônibus, o jovem Richard Brilhante, que esteve a frente das manifestações que pediam o benefício em 2013, puxa as rédeas: “Essa discussão de responsabilidades é importante, eu sempre defendi isso no Conselho de Transporte e estava no meu Plano de Trabalho. Se a prefeitura isentar o ISS, o estado reduzir o ICMS e cada um cuidar do seu, poderíamos até ter redução da tarifa. Me chama que eu ensino!”, disse. Brilhante foi candidato a vereador pela primeira vez e saiu com quase 2 mil votos.
“A CULPA É DA IMPRENSA”
Não bastava receber o status de único candidato apoiado pelo presidente Jair Bolsonaro a ser eleito em capitais, Bocalom aprendeu cedo um dos principais pilares do bolsonarismo: – se falar algo que gerou repercussão popular negativa, volte atrás e culpe a imprensa de má interpretação.
TEM BOCAS SIM!
Se alguém tinha dúvidas sobre se Bocalom conseguiria retribuir todo o apoio em massa que recebeu no segundo turno, ele terá à sua disposição 408 cargos em comissão da prefeitura para repartir, talvez calcular essa divisão não será um problema, seu emprego de origem é o de professor de matemática.
VAI TER QUE TRABALHAR
Se tem uma coisa que Bocalom já deixou claro é que não vai ter moleza em sua gestão, nem mesmo para a mulher de seu padrinho político… Marfisa Galvão deverá assumir alguma secretaria municipal a partir de janeiro e acumular o cargo, além disso, o prefeito eleito já disse que secretários poderão assumir duas secretarias diferentes para economizar verbas.
REATANDO O “NAMORO”
Após Bocalom ter se decepcionado por não receber apoio do governador Gladson Cameli, seu correligionário, nas eleições, os dois jantaram juntos em um restaurante libanês de Brasília para discutir assuntos como futuras parcerias de estado e prefeitura, restaurações de ramais, o sistema de abastecimento de água, além de medidas de combate ao coronavírus.
IH, RAPAZ…
Por falar em coronavírus, entrar em senso sobre a pandemia não vai ser fácil, enquanto Gladson veio várias vezes com discursos de “lockdown”, Bocalom defende a ideia que todo mundo pegue a doença para ficar imune e já mostrou claramente ser contra qualquer fechamento de comércio, vai ser um impasse…
SANTÍSSIMA TRINDADE
Além de perder a eleição em Rio Branco com sua candidata Socorro Neri, Gladson não consegue ver a posse de sua indicação para conselheiro do TCE, o secretário da Casa Civil, Ribamar Trindade, o caso já foi parar até no STF, já foi marcado data para a cerimônia e desmarcada, essa novela ainda vai render…
O LÍDER DE OPOSIÇÃO
O vice-governador Major Rocha não tem medido esforços para ocupar o cargo hoje pertencente ao deputado Edvaldo Magalhães (PCdoB) como líder de oposição a Gladson, o militar denunciou recentemente em seu “gabinete virtual” supostos superfaturamentos em compras de cestas básicas no próprio governo.
NÓS AVISAMOS…
Aliás, nós avisamos que Minoru Kinpara (PSDB) havia dado um puxão de orelha em Rocha por conta dos “chiliques” nas redes sociais, que estariam atrapalhando a popularidade do candidato ambidestro, tal informação foi comprovada pelo fato do major ter aguardado o fim das eleições para voltar a “atacar”, antes estava “pianinho”.
“ARENGUEM, MAS TRABALHEM!”
Ainda sobre a treta entre o governador e o vice, o deputado Daniel Zen (PT) resolveu levar o assunto para o plenário da Aleac e propôs que os dois, agora com o fim dessas eleições tentem novamente governar o Acre, “coisa que não fazem desde o início de 2019”, disse.
QUEM FOI O MAIOR PERDEDOR DAS ELEIÇÕES?
Daniel Zen também afirmou que Gladson e Rocha foram os maiores perdedores dessas eleições… Pelo ponto de vista do orgulho ferido, Zen até pode ter razão, mas pelo ponto de vista político, foi o PT que sofreu uma rejeição monstruosa ao ver seu eleitorado cair de 104.311 votos para 7.121 em apenas 4 anos. O que com certeza causou um certo desespero para os planejamentos futuros da sigla…
SE CORRER O BICHO PEGA, SE FICAR O BICHO COME
É Daniel Zen inclusive, que vive um cenário apocalíptico ao fim das eleições, enquanto assiste seu partido entrar em crise e diminuir cada vez mais a popularidade, com episódios como o presidente estadual declarando voto em Bocalom e a municipal tendo áudio vazado com ofensas pejorativas contra a prefeita e, claro, o duro golpe das votações nas eleições – ora, pois por mais que entrassem em uma campanha sabendo que não iam ganhar, jamais esperariam ser tão mal votados assim – Zen, que detém uma excelente atuação parlamentar como deputado estadual vê sua reeleição em risco por conta dessa rejeição em massa ao petismo, ao mesmo tempo em que caso decida trocar de partido, poderá perder o apoio da militância e até possivelmente ser tachado de “traidor” como foi feito com a “Corrinha”, como gostam de chamar, convenhamos, o povo lá costuma ser fiel aos ‘companheiros’.
HELP NERI
Mas quem parece estar de bem com a vida mesmo com a derrota é a prefeita Socorro Neri, sem o peso e o estresse causado pelas eleições, ela tem se dedicado a mostrar com orgulho e alegria as coisas positivas que fez em seu mandato. É fato que, se Rio Branco dependesse apenas do twitter, Socorro venceria as eleições com folga, a massa de apoio em postagens e enquetes foi grande, tanto que motivou a prefeita a criar uma conta na rede social e ao perguntar quais de seus apelidos os seguidores mais gostavam, o carinhoso “Help Neri” entrou em evidência.
SEGUINDO EM FRENTE
A prefeita deve aproveitar o nome feito a frente da prefeitura e o fato do próprio Bocalom reconhecer o bom estado de saúde financeira deixado por ela para seguir na vida pública, quem sabe se candidatando a deputada ou senadora em 2022.




















