BLOG DO SIQUEIRA

Bocalom vai cortar ponto de professor em greve que não comparecer ao início das aulas


Como de praxe, a presença do presidente Bolsonaro (PL) no Acre deixou os nervos políticos “à flor da pele”. Desta vez, não foi ele o protagonista da grande polêmica, mas sim dois membros do mesmo partido que trocaram acusações e farpas.

Vaiado em cerimônia com o presidente, o prefeito de Rio Branco, Tião Bocalom (PP), continua com um péssimo senso crítico ou fazendo “à egípcia” no dito popular. Mesmo com a cidade em caos, acredita não ser digno de receber vaias em pronunciamentos e culpou o governador Gladson Cameli (PP) do repúdio ter vindo de sua equipe.

Revoltado, Gladson não perdeu tempo e resolveu lavar a roupa suja lá mesmo. Na frente de Bolsonaro, Márcio Bittar, Alan Rick e outros membros da comitiva, deu uma verdadeira “mijada” no prefeito, afirmou que não faz esse “tipo de política” e por fim, disse o que todo riobranquense queria ouvir: “vá tapar os buracos da cidade”.

As reações foram as mais diversas, Bolsonaro estava em pé quando a “treta” começou e sentou para assistir. Bittar até tentou pedir calma para Gladson com um gesto sutil, mas em vão. O governador estava determinado a falar suas verdades, ainda que de forma curta.

A tensão já era acumulada, desde o início da semana já era especulado uma possível saída de Gladson do Progressistas, na qual ele chegou a ser acusado pela presidente e senadora Mailza Gomes de não “cumprir com a palavra”. Gladson confirmou que segue no partido, dando indiretamente a entender que condicionou a permanência à desistência de Mailza em concorrer ao Senado em outubro e deixar o caminho livre para apoiar Márcia Bittar.

Embora tenha reconhecido que a desistência está em pauta, Mailza se chateou ao dizer que Gladson não cumpriu sua palavra e não deu o tempo necessário para que ela acertasse a decisão com seus apoiadores.

Gladson respondeu que Mailza estava se baseando por manchetes de jornais. No entanto, o desentendimento entre o governador e Bocalom ontem expõe um clima ainda mais tenso dentro das paredes do Progressistas.


Após uma sexta-feira difícil, Bocalom se prepara agora para enfrentar outro grande problema já no início da próxima semana. O início do ano letivo marcado para esta segunda-feira (21) não coincide com a disposição dos professores, que estão em greve.

Uma fonte da Semsa informou a este colunista que a ordem é que seja mantida a data e há orientação aos pais para que levem seus alunos para a escola. Com um Sinteac inegociável até o momento com as condições apresentadas, a palavra é de cortar o ponto do professor grevista que não comparecer à escola. Isso vai dar o que falar.


Em encontro com pastores em Rio Branco, Bolsonaro aproveitou para condenar a decisão do ministro Alexandre de Moraes, do STF, de suspender o Telegram no Brasil. Devo admitir que concordo desta vez com o presidente, todos sabemos que os principais disseminadores de fake news no país vêm do WhatsApp e do Facebook. Já viu tiozão de Telegram? Nem eu. Acontece que, é preciso enrijecer as leis contra quem espalha mentiras irresponsavelmente na internet, bloquear ferramentas só acaba prejudicando quem depende dela para trabalhar.

Por fim, a presença de Bolsonaro mostrou ao acreano outra questão: o DNIT enviou horas antes da chegada do presidente homens para taparem os buracos da BR-364 na Estrada do Aeroporto. As “crateras” como já estavam sendo chamadas pela população estavam há meses, mas foram resolvidos em um dia. Para muitos, isso mostra que dá sim para tapar os buracos quando há interesse.

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André Diogo