Repercutiu em todo o mundo a notícia da tentativa de assassinato da ex-presidente e atual vice-presidente da Argentina, Cristina Kirchner, do Partido Justicialista. O atentado aconteceu na noite desta quinta, 1º, em Buenos Aires, próximo à residência dela.
O autor é um brasileiro de 35 anos identificado como Fernando Sabag Montiel, que trabalhava como motorista de aplicativo. Ele conseguiu chegar a poucos metros da vice-presidente e apontar uma pistola calibre 38 para seu rosto, mas apesar das cinco munições no carregador — falhou. Veja o vídeo.
Líderes de países de todo mundo prestaram solidariedade à vice-presidente de 69 anos, incluindo os presidenciáveis Lula (PT), Ciro Gomes (PDT), Simone Tebet (MDB), Felipe D’Ávila (Novo) e Soraya Thronicke (UB). No entanto, concomitante ao momento em que a mídia repercutia o atentado no país vizinho, Jair Bolsonaro (PL) fazia no Twitter piadas com a jornalista Gabriela Prioli.
A pergunta que fica no ar: é tão difícil assim conseguir se solidarizar com um desigual? Uma mulher, política, vítima de um atentado semelhante ao sofrido pelo próprio Bolsonaro no dia 6 de setembro de 2018. O silêncio do presidente mostra uma certa ‘aprovação’ ao ato. É um sinal claro de desprezo, característica totalmente dispensável para quem quer assumir um cargo de chefe de nação.
É claro que não estou querendo dizer que a família Bolsonaro tenha sido mandante ou coisa parecida (não de forma direta), mas já ficou claro que os frequentes incentivos à violência, à “metralhada de petistas”, o endosso de torturadores e apologia ao uso de armas podem ter efeitos catastróficos.
Recentemente, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-RJ) defendeu no Twitter que os Estados Unidos fizessem sanções do governo contra Cristina Kirchner. As declaração criaram uma pequena crise com o governo vizinho, que desencadeou uma reação do ministro das Relações Exteriores da Argentina, Santiago Cafiero, que chamou o filho do presidente de “ignorante”.

Vale lembrar também que Bolsonaro não condenou a atitude do policial penal Jorge Guaranho, seu apoiador que assassinou o guarda municipal Marcelo Arruda em seu próprio aniversário em julho desse ano em Foz do Iguaçu, no Paraná, após uma discussão motivada pelo tema da festa, que era do PT. Na época, Bolsonaro apenas ressaltou que o outro lado também é violento, não se esforçando o mínimo para diminuir a onda de violência causada por motivações políticas que antes o Brasil vinha sofrendo e agora brasileiros estão levando para outros países.
Verdade seja dita e a digo ainda que não queiram — contrário ao que tanto Bolsonaro critica, acompanhei como jornalista em 2016 um impeachment de uma presidente de esquerda, que em momento algum incentivou a violência ou ataque ao que foi definido no Congresso, mesmo que considerasse um golpe de Estado. Em seguida, a prisão do ex-presidente Lula, acompanhada por milhares de apoiadores que sequer deram seguimento a uma tentativa de revolução no país, pois foram desencorajados pelo próprio Lula. Quem diria que incentivar tanto a violência causaria tanta… violência?




















