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Bolsonaro mente ao dizer que “esquerda” não foi solidária com sua facada


O presidente Jair Bolsonaro (PL) afirmou nesta sexta-feira (2) que lamenta a tentativa de assassinato sofrida pela vice-presidente da Argentina, Cristina Kirchner, na noite de ontem (1º), em Buenos Aires, mas cobrou atenção da esquerda ao afirmar que “não se preocuparam com ele” quando levou a facada.

Indagado por jornalistas durante sua participação na 45ª Expointer, em Esteio (RS), Bolsonaro fez referência ao atentado que ele mesmo sofreu durante as eleições de 2018, quando foi esfaqueado em Juiz de Fora (MG), durante um ato de campanha. 

“Eu lamento, é um risco que todo mundo corre, eu quase morri em 2018 e não vi a esquerda se preocupando comigo, mas tudo bem”, disse.

No entanto, a informação dada pelo presidente não é verdadeira. Bolsonaro recebeu mensagens de solidariedade no mesmo dia do atentado por todos os candidatos que concorriam contra ele nas eleições.

Ciro Gomes foi o primeiro a prestar solidariedade, o pedetista repudiou “a violência como linguagem politica”. “Solidarizo-me com meu opositor e exijo que as autoridades identifiquem e punam o ou os responsáveis por esta barbárie.”

Guilherme Boulos, do PSOL, escreveu: “soube agora do que ocorreu com Bolsonaro em Minas. A violência não se justifica, não pode tomar o lugar do debate político. Repudiamos toda e qualquer ação de ódio e cobramos investigação sobre o fato”. Até mesmo Fernando Haddad, do PT, deixou as divergências no âmbito da competição eleitoral e repudiou a atitude: “Repudio totalmente qualquer ato de violência e desejo pronto restabelecimento a Jair Bolsonaro”.

O na época candidato Geraldo Alckmin disse que esperava que Bolsonaro se recuperasse. Marina Silva disse que a violência contra o candidato Jair Bolsonaro era “inadmissível e configura um duplo atentado: contra sua integridade física e contra a democracia”.

Bolsonaro, voltou a comentar o atentado após outra pergunta dos repórteres,, ele reafirmou que lamenta e disse esperar apuração sobre o crime.

“Eu já falei que lamento, apesar de não ter nenhuma simpatia por ela, não desejo isso para ela, agora, quando eu levei a facada, esse pessoal da esquerda ficou calado, mas tudo bem, nós temos coração, e lamento o ocorrido e espero que a apuração seja feita, pra saber se foi da cabeça dele, ou de alguém que teria porventura contratado ele para fazer isso”, acrescentou.

Em nota, o Itamaraty repudiou o atentado: “O governo brasileiro condena o injustificável ato de agressão contra a vice-presidente da República Argentina, Cristina Fernández de Kirchner”. Segundo a declaração: “O Brasil repudia toda e qualquer forma de violência com motivação política e reitera seu invariável respaldo à irmã nação Argentina.”

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André Diogo