ECONOMIA

Desenrola Brasil 3.0; Governo Cria Nova Etapa para Renegociar Dívidas com Descontos de até 90%


Nova Fase do Programa Prevê a Compra de Carteiras de Dívidas pela União e Pode Beneficiar Milhões de Brasileiros Inadimplentes

O governo federal lançou uma nova etapa do Desenrola Brasil, programa criado para facilitar a renegociação de dívidas de pessoas físicas. A medida provisória assinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva estabelece regras para uma nova rodada de negociação de débitos bancários e não bancários.

A principal novidade do Desenrola Brasil 3.0 é a possibilidade de a União comprar, por meio de leilões, carteiras de dívidas que permanecem inadimplidas. O desconto obtido na aquisição deverá ser repassado integralmente aos consumidores envolvidos.

A iniciativa pretende alcançar pessoas com dívidas antigas e ampliar as possibilidades de regularização financeira de famílias que ainda enfrentam restrições de crédito.


Como Vai Funcionar o Desenrola Brasil 3.0

A nova fase permitirá que credores participem de leilões para oferecer carteiras de dívidas elegíveis ao programa. As propostas serão analisadas de acordo com o desconto oferecido.

Poderão participar operações envolvendo dívidas bancárias e não bancárias, desde que atendam aos critérios estabelecidos pela medida.

Entre os débitos que podem ser contemplados estão obrigações relacionadas ao setor financeiro e contas de serviços e consumo, como água, energia, telefonia e compromissos com empresas do varejo.

Um dos mecanismos centrais será a transferência do desconto obtido pela União para o consumidor. Dessa forma, quanto maior for o abatimento conseguido na aquisição da carteira, maior será a redução aplicada ao saldo devido.


Desconto Mínimo Previsto para os Consumidores

O programa estabelece desconto mínimo de 90% sobre as carteiras adquiridas pela União nas condições previstas.

Na prática, uma dívida que fizer parte de uma carteira comprada com esse nível de desconto terá a redução correspondente repassada ao devedor.

Depois da aplicação do abatimento, o consumidor poderá quitar o saldo de acordo com as condições estabelecidas para o programa. A possibilidade de pagamento à vista ou parcelado está prevista, enquanto as regras relacionadas a juros e demais condições deverão ser regulamentadas pelo Conselho Monetário Nacional.


Quem Poderá Ter a Dívida Incluída

A nova modalidade é direcionada a pessoas físicas com dívidas que atendam aos critérios estabelecidos pelo governo.

Entre as condições previstas está a existência de débitos com valor original de até R$ 10 mil, desde que estejam em situação de inadimplência há um período superior a dois anos e inferior a aproximadamente quatro anos e meio.

A regra também determina que o credor deverá disponibilizar a totalidade dos créditos elegíveis de determinado devedor. Isso impede que a instituição escolha apenas algumas dívidas para serem incluídas na operação.

Uma característica da nova etapa é a abrangência para além das dívidas exclusivamente bancárias.

Segundo os dados apresentados pelo governo, uma parcela significativa do estoque de débitos em atraso está relacionada a empresas não financeiras. Entre os compromissos estão contas de serviços essenciais e dívidas contraídas no comércio.

A medida, portanto, busca atingir consumidores que permanecem negativados não apenas por empréstimos ou financiamentos, mas também por contas e compras que ficaram em atraso.


Expectativa é Alcançar Milhões de Brasileiros

O governo estima que até R$ 150 bilhões em dívidas possam se enquadrar nos critérios para aquisição pela União.

Considerando uma adesão parcial de credores e consumidores, a expectativa é que aproximadamente R$ 75 bilhões sejam efetivamente renegociados.

A estimativa apresentada pelo governo é de que o programa possa alcançar até 15 milhões de pessoas.

Para financiar a iniciativa, estão previstos R$ 15 bilhões em recursos.


Leilões Serão Usados para Selecionar as Carteiras

Os credores interessados deverão apresentar suas propostas dentro das regras estabelecidas para o programa.

Os leilões poderão ser organizados em lotes, inclusive com separação entre dívidas bancárias e não bancárias.

A classificação das propostas deverá considerar o maior desconto oferecido pelos credores.

A Caixa Econômica Federal e o Banco do Brasil também poderão participar da estrutura operacional, inclusive por meio de fundos de investimento em direitos creditórios dos quais a União seja cotista.


Programa Tenta Reduzir o Número de Brasileiros Negativados

O lançamento da nova fase ocorre em um cenário de elevado volume de dívidas em atraso.

De acordo com os dados apresentados pelo Tesouro Nacional, o estoque de dívidas inadimplidas registradas nos birôs de crédito, considerando débitos com até cinco anos de atraso, chegava a R$ 592 bilhões em agosto.

O levantamento apontava ainda 83,9 milhões de pessoas negativadas, com uma média de quatro dívidas por pessoa.

A média informada era de aproximadamente R$ 7 mil em débitos por consumidor.

Dentro desse estoque, cerca de 55% correspondiam a dívidas não bancárias. Os compromissos relacionados a água, luz e energia representavam aproximadamente 20% do total.


Desenrola Brasil Já Teve Outras Etapas

A nova iniciativa dá continuidade às fases anteriores do programa de renegociação de dívidas.

Segundo o governo, as duas primeiras etapas alcançaram aproximadamente 25 milhões de pessoas.

Na primeira fase, foram registradas mais de oito milhões de operações de renegociação, envolvendo cerca de R$ 53 bilhões em dívidas.

A segunda etapa contabilizou mais de 5,5 milhões de operações, com aproximadamente R$ 22 bilhões renegociados.

Com a terceira fase, o governo pretende ampliar o alcance da política para consumidores que ainda possuem débitos antigos e permanecem fora das soluções convencionais de renegociação.


Quando Começa o Desenrola Brasil 3.0

A implementação ocorrerá de forma gradual.

A publicação da medida provisória está prevista para setembro de 2026. O chamamento para apresentação das propostas dos credores deverá ocorrer em novembro.

Em dezembro, os credores deverão apresentar suas propostas. A homologação das operações selecionadas está prevista para janeiro de 2027.

A assinatura dos contratos e o início do repasse dos descontos aos devedores deverão ocorrer a partir de fevereiro de 2027.

O cronograma, entretanto, depende da regulamentação e da execução das etapas previstas na medida.


O Que Muda para Quem está Endividado

Para o consumidor, a principal mudança está na possibilidade de uma dívida antiga ser adquirida pela União com um desconto elevado e, posteriormente, ter essa redução transferida para o próprio devedor.

Isso cria uma alternativa diferente dos modelos tradicionais de negociação direta entre consumidor e credor.

Ainda será necessário aguardar a regulamentação para saber, na prática, quais serão os canais de atendimento, as formas de adesão, as condições de parcelamento, os juros aplicáveis e os procedimentos para consulta das dívidas elegíveis.

O Desenrola Brasil 3.0 amplia a estratégia do governo para enfrentar o endividamento das famílias ao criar um mecanismo de compra de carteiras de dívidas pela União.

A proposta combina leilões entre credores e repasse dos descontos aos consumidores, com foco em débitos antigos de pessoas físicas. A efetividade da iniciativa dependerá, entre outros fatores, da participação dos credores, da adesão dos consumidores e das regras que ainda serão regulamentadas.

Para quem possui dívidas em atraso, acompanhar a regulamentação será importante para verificar se os débitos poderão ser incluídos no programa e quais serão as condições oferecidas para a regularização.

Você poderá participar do Desenrola Brasil 3.0? Tem dívidas antigas e quer saber se elas poderão entrar no novo programa? Acompanhe as próximas regras do Desenrola Brasil 3.0 e fique atento aos canais oficiais de consulta e negociação. Compartilhe esta informação com familiares e amigos que também enfrentam problemas de endividamento.


O que é o Desenrola Brasil 3.0?

É uma nova etapa do programa de renegociação de dívidas voltada a pessoas físicas com débitos que atendam aos critérios definidos pelo governo.

Quem poderá participar do programa?

Poderão ser contempladas pessoas com dívidas bancárias e não bancárias que estejam dentro das condições estabelecidas pela medida provisória e pela regulamentação posterior.

Qual será o desconto oferecido?

O programa prevê desconto mínimo de 90% para as carteiras adquiridas pela União nas condições estabelecidas.

A dívida poderá ser parcelada?

Sim. Está prevista a possibilidade de pagamento à vista ou parcelado. As condições específicas deverão ser definidas na regulamentação.

Quais tipos de dívidas poderão entrar no programa?

A proposta contempla dívidas bancárias e não bancárias. Isso inclui determinados débitos relacionados a bancos, comércio e serviços.

Quando começam as renegociações?

O cronograma apresentado pelo governo prevê o início dos contratos e do repasse dos descontos aos devedores a partir de fevereiro de 2027.

Como o consumidor saberá se sua dívida está incluída?

Os procedimentos para consulta e adesão ainda dependerão das regras operacionais e da regulamentação do programa.

O desconto será repassado integralmente ao consumidor?

Segundo a proposta apresentada, o desconto obtido pela União na aquisição da carteira será integralmente repassado ao devedor correspondente.

Post navigation

Avatar de Ana Cristina - Redatora

Ana Cristina - Redatora