DETETIVE 68

É verdade que senador acreano forjou a própria separação para lançar mulher candidata?


Aquele que dormiu no ponto não conseguiu acompanhar a semana intensa na política acreana. Da “dança das cadeiras” da janela partidária à lavagem de roupa suja na frente do Presidente da República. No intervalo disso, estão as polêmicas vividas pela família Bittar.

Não é novidade que Márcia Bittar é pré-candidata à senadora e para isso tem o apoio do seu ex-marido, Márcio, que tem cadeira no Senado até o ano de 2026. Alinhados ideologicamente, Márcia seria uma espécie de “clone” do próprio senador no Congresso Nacional.

Com diferença de apenas uma letra no nome, o casal representaria voto “peso dois” nos projetos, uma vez que defendem os mesmos ideais que tem como pilar um orgulhoso bolsonarismo. Além de que ocupariam dois terços das vagas destinadas ao estado no Senado.

O uso do mesmo sobrenome, porém, não é uma novidade introduzida pelo ex-casal. Dentro da própria ala bolsonarista tivemos o exemplo de Rogéria Bolsonaro, que foi casada com o presidente entre 1978 e 1997. É ela a mãe dos três filhos que seguem a carreira política: Flávio, Carlos e Eduardo. Rogéria tentou em 2020 se eleger vereadora do Rio de Janeiro usando o sobrenome do ex-marido, mas acabou derrotada.

Aparecendo em público sempre como ex-companheiros, Márcio e Márcia seguem uma rotina conjunta, muito devido a pré-campanha já iniciada. Coube a Márcio Bittar, por exemplo, defender a ex-esposa em vídeo onde apareceu ao lado das filhas, após Márcia declarar em uma entrevista na TV que as escolas ensinam às crianças que é normal ter “relação com os pais e animais”.

Não foi difícil que as pessoas começassem a questionar se eles realmente estariam separados. Uma das teorias que circulou nas redes sociais diz que os dois estariam sustentando uma farsa de fim de casamento para que Márcia pudesse se candidatar ao Senado, coisa que a lei impediria por ela ter um cônjuge no Congresso.

Os rumores da suposta farsa ganharam força com os episódios de ciúmes protagonizados por Márcia. O destaque é para um vídeo que circulou nas redes sociais em fevereiro, onde mostra um “climão” entre os dois na Câmara de Vereadores onde acompanhavam uma sessão. Após isso, fotos características de casal foram publicadas nas redes sociais.


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Em virtude disso, o Correio 68, prezando pela qualidade e verdade das informações, se debruçou sobre a legislação eleitoral e até consultou um especialista para apurar os boatos.

A verdade é que não há nada na lei eleitoral que impeça alguém de se candidatar ao Senado se tiver algum parente em mandato.

A regra em questão só se aplica a quem tiver parentes de até segundo grau ocupando cargo de chefe do Executivo (prefeito, governador ou presidente). Logo, para os cônjuges de um mandatário do Poder Legislativo (vereadores, deputados e senadores) não há óbice na candidatura.

Sem óbice, o Detetive 68, nosso investigador de boatos, conclui que não faz sentido uma separação forjada. Portanto, a informação de que Márcio e Márcia Bittar simulam uma separação para lançar candidatura é FAKE NEWS.

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André Diogo