O Instituto de Defesa Agropecuária e Florestal do Acre (Idaf) confirmou a chegada da ferrugem asiática ou ferrugem de soja, que vem de um fungo de nome científico Phakopsora pachyrhizi, no Acre em duas propriedades rurais no município de Capixaba.
O fungo é uma das principais preocupações de produtores de soja no Brasil e é considerada a principal doença desta cultura. Segundo informações do site ac24Horas, o chefe da Divisão de Defesa Sanitária Vegetal do Idaf, Alex Elias Braga de Paula, informou que uma equipe visitou as duas propriedades e constatou uma alta incidência da ferrugem asiática em toda a lavoura em ambas as localidades. Segundo ele, o ataque foi severo, queimando toda a folhagem, o que faz com que a planta acelere o período reprodutivo.
Alex de Paula disse que os proprietários estão sendo devidamente orientados a respeito das medidas sanitárias a serem tomadas. Uma dessas medidas é o vazio sanitário, período em que não se pode semear ou manter plantas vivas de uma espécie em uma determinada área, reduzir a sobrevivência do fungo causador da ferrugem asiática.

“Falamos com os proprietários sobre a necessidade de adoção do vazio sanitário, calendário de plantio, tudo isso foi conversado com eles e nós vamos definir um calendário de vazio sanitário. É importante ressaltar que a prática da safrinha (cultivo sucessivo) na soja potencializa a doença porque fica muito hospedeiro do fungo na propriedade”, explicou.
Com mestrado e doutorado em fitopatologia e já tendo trabalhado com a ferrugem asiática no estado de Minas Gerais, o professor Josimar Ferreira diz que o problema é de fácil disseminação, podendo transpor grandes extensões por via aérea, pelo vento, e por máquinas e implementos agrícolas. Segundo ele, a estimativa de perda é de 70% a 100% de produção nas áreas atingidas.
“A expectativa seria de colher até 50 sacas por hectares, mas nesta situação não colhe 15 sacas, porque a doença faz severa desfolha na planta, o que nesta fase de enchimento das vagens leva a grãos chochos, não granados, leves e de não qualidade. E por serem mais leves, acarretam maior perda na colheita, pois são expelidos no solo pela debulha da colheitadeira”, exemplifica.
Uma das propriedades em que o Idaf constatou a ocorrência da praga é pertencente ao empresário e pecuarista Jorge Moura, pioneiro do cultivo e maior produtor da soja no estado. A reportagem entrou em contato com ele, que explicou não estar em condições de atender no momento da ligação, mas se comprometeu em atender ao jornal em outro momento.
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