CULTURA

INÉDITO: Ana Maria Gonçalves é a Primeira Mulher Negra a Entrar na ABL


Foto: Léo Pinheiro

Escritora de 55 anos, Autora de “Um Defeito de Cor”, Rompe Barreiras Históricas e se Torna Imortal da Academia Brasileira de Letras

A Academia Brasileira de Letras (ABL) elegeu, em 10 de julho de 2025, Ana Maria Gonçalves como a primeira mulher negra a integrar a instituição em seus 128 anos de existência. Aos 55 anos, Ana Maria não só quebra um longo histórico de exclusão racial e de gênero, como também passa a ser a integrante mais jovem do atual quadro de imortais da ABL.

A eleição para a cadeira nº 33, vaga desde o falecimento do linguista Evanildo Bechara, ocorreu com urnas eletrônicas fornecidas pelo Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro. Ana Maria recebeu 30 dos 31 votos possíveis, superando 12 concorrentes, incluindo a escritora indígena Eliane Potiguara, que obteve apenas um voto.

Ana Maria Gonçalves é reconhecida nacional e internacionalmente pelo romance histórico “Um Defeito de Cor”, publicado em 2006 após cinco anos de pesquisa e escrita. A obra narra a trajetória de Kehinde, uma mulher africana sequestrada e escravizada no Brasil do século XIX, que luta para reencontrar seu filho. Inspirado na figura histórica de Luísa Mahin, mãe do abolicionista Luiz Gama, o livro aborda temas como escravidão, racismo, ancestralidade e resistência. Com mais de 900 páginas, o romance vendeu cerca de 180 mil exemplares, ganhou o Prêmio Casa de las Américas em 2007 e foi eleito o melhor romance brasileiro do século XXI por um júri da Folha de S. Paulo. Além disso, inspirou o enredo da escola de samba Portela no Carnaval do Rio de Janeiro em 2024, que foi premiado e alcançou a quarta colocação.

Nascida em Ibiá, Minas Gerais, Ana Maria abandonou a carreira publicitária para se dedicar à literatura, morando em Itaparica, Bahia, onde escreveu sua obra mais famosa. Além de “Um Defeito de Cor”, publicou outras obras, como “Ao lado e à margem do que sentes por mim” e peças teatrais.

A eleição de Ana Maria Gonçalves representa um marco histórico para o movimento negro e para as mulheres negras no Brasil, que há décadas denunciam o racismo estrutural nas instituições culturais. Sua entrada na ABL simboliza uma mudança no perfil da academia, tradicionalmente elitista, masculina e branca, e abre caminho para uma memória literária mais diversa e inclusiva.

Este momento histórico também é um teste para a ABL, que precisa demonstrar se essa conquista será um marco isolado ou o início de uma transformação estrutural real na instituição.

Quer saber mais sobre a trajetória de Ana Maria Gonçalves e o impacto de sua obra na literatura brasileira? Comente abaixo, compartilhe este artigo e assine nossa newsletter para receber conteúdos exclusivos sobre cultura e literatura.

 

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Ana Cristina - Redatora