ECONOMIA

INTEGRAÇÃO: Pix Internacional pode Ganhar Conexão Direta com Outros Países; Veja o que Pode Mudar


Banco Central Estuda Integrar o Sistema Brasileiro a Redes de Pagamentos Instantâneos Estrangeiras para Acelerar Transações, Reduzir Custos e Ampliar o Uso do Pix no Exterior

O Pix pode estar prestes a dar um passo importante para além das fronteiras brasileiras. O Banco Central (BC) avalia conectar a infraestrutura de pagamentos instantâneos do país a sistemas semelhantes utilizados no exterior.

A proposta permitiria que brasileiros realizassem pagamentos e transferências internacionais com maior rapidez, enquanto a conversão dos valores para a moeda local poderia ocorrer em poucos segundos. A iniciativa também busca diminuir custos e tornar mais transparente o processo de câmbio.

A possibilidade consta no Relatório de Gestão do Pix 2023-2025, divulgado pelo Banco Central. Segundo o documento, estão em avaliação tanto conexões diretas entre o Brasil e outros países quanto a participação brasileira em plataformas multilaterais capazes de interligar diferentes sistemas nacionais.


Como Funciona o Pix Internacional Atualmente?

Apesar de já existirem estabelecimentos fora do Brasil que aceitam pagamentos feitos por meio do Pix, o sistema oficial administrado pelo Banco Central continua restrito à infraestrutura brasileira.

Isso significa que as soluções atualmente disponíveis para pagamentos internacionais dependem de acordos entre instituições privadas brasileiras e empresas ou instituições financeiras estrangeiras.

Na prática, o consumidor pode ter uma experiência parecida com a de um Pix tradicional: basta abrir o aplicativo de uma instituição habilitada, escanear um QR Code e confirmar o pagamento.

Por trás dessa operação, entretanto, existe uma diferença importante.

O Pix é realizado em reais para uma instituição no Brasil. Depois, essa empresa utiliza os mecanismos tradicionais de câmbio e remessa internacional para enviar os recursos ao exterior, onde o estabelecimento recebe o pagamento na moeda correspondente.

Ou seja, a infraestrutura do Pix não realiza diretamente toda a movimentação internacional.


Pagamentos por Pix Já São Possíveis em Alguns Países

Soluções privadas que permitem utilizar o Pix fora do Brasil já foram implementadas em mercados como Argentina, Chile, Estados Unidos, Portugal e França.

A disponibilidade, porém, não é uniforme. Como essas operações dependem de acordos comerciais e financeiros entre empresas, a aceitação pode variar de acordo com o país, a região e os estabelecimentos participantes.

Para o consumidor, isso significa que encontrar um comércio que aceite Pix no exterior ainda depende da existência de uma parceria específica.


O Que o Banco Central Pretende Mudar?

A principal diferença de uma eventual integração oficial seria a possibilidade de conectar diretamente a infraestrutura brasileira a sistemas de pagamentos instantâneos de outras jurisdições.

Em vez de uma empresa brasileira receber o dinheiro e posteriormente realizar uma remessa internacional pelos canais convencionais, os sistemas nacionais poderiam estar interligados.

Essa conexão poderia tornar as operações mais rápidas e simplificar determinadas etapas envolvidas nos pagamentos internacionais.

O Banco Central considera duas possibilidades principais:

  • Conexões bilaterais: integração direta entre o sistema brasileiro e o sistema de pagamentos instantâneos de outro país;
  • Hubs multilaterais: plataformas capazes de conectar simultaneamente sistemas de pagamentos de diferentes países.

O BC, entretanto, não divulgou quais países poderiam participar de uma eventual conexão bilateral nem estabeleceu uma data para o lançamento da funcionalidade.


Como Seria uma Compra Internacional com o Pix?

Imagine um brasileiro viajando para outro país e encontrando um estabelecimento integrado ao sistema.

Em um cenário de conexão direta entre as redes de pagamento, o consumidor poderia utilizar seu aplicativo bancário para autorizar a transação, enquanto o comerciante receberia o valor em sua moeda local.

A operação poderia acontecer em poucos segundos, dependendo da estrutura adotada entre os sistemas.

Para o usuário, o processo tenderia a ser mais simples do que uma transferência internacional tradicional, que pode envolver diferentes instituições e etapas de liquidação.


E o Caminho Inverso?

A integração também poderia beneficiar estrangeiros que visitam o Brasil.

Hoje, já existem soluções que permitem que clientes de instituições estrangeiras escaneiem um QR Code de um estabelecimento brasileiro e façam o pagamento utilizando seu próprio aplicativo.

Nessas operações, uma instituição parceira no Brasil realiza o Pix em reais para o comerciante. A instituição estrangeira, por sua vez, debita o valor da conta do consumidor em sua moeda.

A compensação financeira entre as instituições ocorre posteriormente, fora da infraestrutura do Pix.

Uma eventual conexão direta entre os sistemas poderia ampliar esse tipo de operação e reduzir etapas intermediárias.


Câmbio, Tarifas e IOF Continuam Sendo Pontos Importantes

A internacionalização do Pix não significa necessariamente que todas as transações ficariam livres de custos.

Operações internacionais envolvem conversão de moedas e podem estar sujeitas a IOF (Imposto sobre Operações Financeiras), tarifas e spread cambial, que corresponde à diferença entre uma cotação de referência e a taxa efetivamente utilizada pela instituição.

Um dos objetivos apontados pelo Banco Central é justamente aumentar a transparência dessas operações.

Com sistemas mais integrados, o consumidor poderia ter maior clareza sobre a taxa de câmbio utilizada, as tarifas aplicadas e o percurso dos recursos durante a transação.


Pix Internacional pode Ampliar Concorrência

Além da velocidade, uma rede integrada de pagamentos instantâneos poderia aumentar a concorrência no mercado de transferências internacionais.

Atualmente, operações entre países podem depender de diferentes intermediários, o que aumenta a complexidade e, em determinados casos, os custos para consumidores e empresas.

Uma infraestrutura capaz de conectar sistemas nacionais poderia diminuir a quantidade de etapas necessárias para concluir uma operação.

Isso também poderia beneficiar pequenos negócios, turistas e pessoas que realizam transferências internacionais com frequência.


Quando o Pix Poderá Funcionar Oficialmente no Exterior?

Ainda não há uma data definida.

O Banco Central informa que as possibilidades de integração estão em análise e que o projeto pode seguir diferentes modelos. A escolha dependerá de questões técnicas, regulatórias e dos acordos estabelecidos com outras jurisdições.

Portanto, embora o chamado Pix internacional já exista por meio de soluções privadas, uma integração oficial entre o sistema brasileiro e redes estrangeiras ainda depende dos próximos passos do Banco Central.


O Que Muda para o Consumidor?

Se a iniciativa avançar, o usuário poderá encontrar um cenário mais simples para pagamentos internacionais.

Entre os possíveis benefícios estão:

  • Maior velocidade nas transferências e pagamentos;
  • Redução de intermediários em determinadas operações;
  • Potencial diminuição de custos;
  • Maior transparência no câmbio e nas tarifas;
  • Ampliação dos locais que poderão aceitar pagamentos instantâneos brasileiros.

O alcance dessas vantagens, porém, dependerá do modelo de integração adotado e dos acordos firmados entre os países.


Um Novo Passo para o Pix

Criado pelo Banco Central, o Pix se consolidou como uma das principais formas de pagamento no Brasil. A possibilidade de conectá-lo a sistemas estrangeiros representa uma evolução do conceito de pagamentos instantâneos e pode aproximar diferentes mercados financeiros.

Por enquanto, a internacionalização ainda está em fase de avaliação. Se o projeto avançar, porém, o Pix poderá deixar de ser predominantemente uma infraestrutura de pagamentos domésticos para participar de uma rede internacional de transações instantâneas.


A possível conexão do Pix com sistemas de pagamentos instantâneos de outros países pode representar uma nova etapa para o sistema criado pelo Banco Central. A integração direta ou por meio de plataformas multilaterais tem potencial para tornar pagamentos e transferências internacionais mais rápidos, transparentes e competitivos.

Apesar disso, a iniciativa ainda está em avaliação e não há prazo definido para sua implementação. Até que novas conexões sejam efetivamente estabelecidas, o chamado Pix internacional continuará dependendo, em grande parte, de soluções e parcerias privadas.

O que você acha? Você usaria o Pix para fazer compras ou transferências no exterior se o sistema permitisse uma operação mais rápida e com custos menores?

Conte sua opinião nos comentários: o Pix internacional pode mudar a forma como os brasileiros movimentam dinheiro fora do país?


O Pix já funciona oficialmente no exterior?
Não. A infraestrutura do Pix administrada pelo Banco Central funciona no Brasil. No exterior, existem soluções privadas que utilizam o Pix por meio de parcerias com instituições estrangeiras.

O Banco Central pretende criar um Pix internacional?
O BC avalia conectar o Pix a sistemas de pagamentos instantâneos de outros países. A proposta pode envolver conexões bilaterais ou plataformas que integrem vários sistemas nacionais.

 países já aceitam Pix por meio de soluções privadas?
Há soluções disponíveis em países como Argentina, Chile, Estados Unidos, Portugal e França. A disponibilidade depende das empresas e instituições participantes.

O Pix internacional seria instantâneo?
A proposta de integração busca permitir pagamentos e transferências internacionais com liquidação em poucos segundos, mas o funcionamento final dependerá do modelo adotado entre os sistemas.

O Pix internacional eliminaria o câmbio?
Não. Pagamentos entre países continuam envolvendo moedas diferentes e, portanto, conversão cambial. A integração pode, entretanto, simplificar o processo e aumentar a transparência sobre taxas e custos.

Poderá haver cobrança de IOF e tarifas?
Sim. Dependendo da operação e das regras aplicáveis, podem existir IOF, tarifas e spread cambial. A eventual integração do Pix não significa automaticamente que essas cobranças deixarão de existir.

Quando o Pix poderá ser usado oficialmente em outros países?
Ainda não há uma data definida pelo Banco Central. A autarquia continua avaliando as possibilidades de conexão com sistemas estrangeiros.

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Ana Cristina - Redatora