A deputada federal Socorro Neri (Progressistas) procurou o Ministério Público do Acre (MPAC) para tratar da situação dos alunos da U:Verse, centro universitário que anunciou em junho o fim das suas atividades e que desde então vem se envolvendo em uma série de polêmicas envolvendo a formação de seus alunos que estavam perto de concluir seus cursos.
Socorro Neri, que já foi secretária de Educação do Estado, considerou a situação como um “calote” — palavra que entre as suas definições no dicionário está o “descumprimento de acordos por falta de vontade ou por má-fé”.
Pelas redes sociais, a parlamentar também informou que enviou um ofício ao ministro da Educação, Camilo Santana, e que está acompanhando a situação:
“O que a U:VERSE está fazendo com os estudantes é CALOTE. Não aceitaremos! Oficiei ao MEC, ministro Camilo Santana e ao MPAC. Estamos acompanhando!”, escreveu.
Em seu perfil no Instagram, publicou trechos de um vídeo de uma audiência com o Procurador-Geral do MPAC, Danilo Lovisaro (assista no final da matéria):
“Muitos estão enfrentando diversas dificuldades, como a continuação de bolsa pelo ProUni e Fies em outras instituições, além dos concludentes, que não poderão terminar a graduação neste ano, faltando muito pouco para chegar ao tão sonhado momento de conclusão”, escreveu na legenda.
Quando comunicou o fim das atividades, a administração da U:Verse, que há três anos adquiriu o centro universitário da antiga Firb/FAAO, citou as dificuldades enfrentadas na pandemia de Covid-19 como um dos motivos para o encerramento, além da alta taxa de evasão de alunos.
Também foi comunicado que os alunos em curso poderiam fazer a transferência para a Unimeta, universidade próxima ao prédio da U:Verse. Porém, os alunos afirmam que a prática não foi tão simples quanto informado. Alunos do 5º ano — o último — do curso de Direito, fizeram uma manifestação esta semana alegando que as diferenças de grade curricular, passariam a se formar apenas no próximo ano, não este, como estava previsto.

Vale ressaltar que enquanto a Unimeta usa um sistema semestral para mudanças de períodos, a U:Verse era a única a adotar um sistema anual.
Um outro problema é em relação aos alunos bolsistas do ProUni e Fies, já que como cada universidade tem um limite de bolsas a serem concedidas, a Unimeta não é obrigada por lei a dar continuidade aos benefícios já concedidos.
Esta, no entanto, não é a primeira vez que a U:Verse é alvo de investigação do MPAC. Em outubro de 2021, a promotora de Defesa ao Consumidor, Alessandra Garcia Marques, instaurou um inquérito para apurar denúncias de que a universidade estaria cobrando indevidamente uma taxa de colação de grau dos alunos.
Em dezembro daquele mesmo ano, os servidores ameaçaram paralisar as atividades antes do encerramento do semestre após o Centro Universitários tomar medidas de cortes irregulares nos salários e dilação de pagamentos. Segundo a denúncia, vários pedidos de esclarecimentos foram feitos por professores e colaboradores, mas a diretoria se manifestava apenas por comunicados através de circulares internas.




















