Joelhos no gramado e braços em forma de “X”. Esse foi o gesto feito pelas atletas do Tiradentes-PI durante o minuto de silêncio antes do início da partida contra o Oratório-AP, em Teresina, pela Série A2 do Brasileiro feminino. O ato foi um manifesto contra o caso Mariana Ferrer. Durante o julgamento de André de Camargo Aranha, acusado de estuprar a blogueira em 2018, a postura do advogado de defesa e do juiz gerou indignação.
A meia Vilma narrou que houve um consenso entre as jogadoras sobre a necessidade de se manifestarem dentro de campo, antes do jogo de futebol, sobre o caso.
– Estava vendo a TV e resolvi falar com as meninas para fazermos algo, mostrando que nós mulheres temos que ficar unidas e lutarmos umas pela outras. Todas nós ficamos tristes com esse caso, e como muitos outros que acontecem. Achamos um absurdo – comentou Vilma.
– De alguma forma, queríamos mostrar que achamos um absurdo. Então, como antes do jogo começar temos um minuto de silêncio, resolvemos fazer o gesto de ajoelhar – completou a meia.
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Dias antes da manifestação das jogadoras do Tiradentes-PI, diversos clubes do Brasil demonstraram apoio à Mariana Ferrer em seus perfis oficiais, solidários ao combate à violência contra a mulher. Os times compartilham as hashtags #JustiçaPorMariFerrer e #EstuproCulposoNãoExiste.
Destaque da partida, a meia-atacante Magna também se pronunciou sobre o manifestação em campo e mostrou indignação quanto ao caso. O promotor que pediu absolvição disse que não houve provas de dolo, ou seja, a intenção de cometer estupro. Essa conclusão foi chamada de “estupro culposo”.
– Infelizmente, é muito difícil ser mulher no país como um todo, no mundo como um todo, e a justiça é a única coisa que podemos nos agarrar. Na hora que ela precisa ser feita, infelizmente ela não é – comentou Magna, que fez três gols na partida.
Texto: Globo Esporte




















