Blog do Siqueira
O dia era 7 de outubro de 2018, com 112.989 votos, uma grande liderança nascia, o ex-reitor da Universidade Federal do Acre (Ufac), Minoru Kinpara, candidato pela Rede Sustentabilidade de Marina Silva a senador da república caiu nas graças de muitos eleitores acreanos por ser uma opção neutra para toda a confusão política que o estado vivia.
Quem estudou na Ufac lembra do carismático Minoru, aquele que costumava abrir seus discursos com alguma piada esportiva, geralmente em referência aos rivais Vasco e Flamengo, como bom flamenguista que é. O Minoru dos corredores, que cumprimentava todos os universitários que via e parava para ouvir, o Minoru que havia transformado a Ufac, deixando ela bonita e vista como um ponto turístico da cidade.
Ao deixar a reitoria e encaminhar sua vida política, filiado a um partido novo, com sangue acreano e que não estava nas páginas jornalísticas envolvido em escândalos de corrupção, Minoru Kinpara era o nome da esperança para dias melhores. Embora as eleições de 2018 permitissem escolher dois candidatos a senador, ele chegou a ser a primeira opção de muitos e quando a apuração mal terminou, começou o clamor por ‘Minoru Prefeito’ nas redes sociais.
Minoru carismático começa a ser visto como Minoru político
Foi no dia 21 de setembro de 2019 que Kinpara começou a declinar em sua vida política, o que é comprovado pelas urnas, ele acreditou estar dando um passo para frente, mas acabou dando dois para trás, assinou o termo de filiação ao Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB) ao lado do vice-governador Major Rocha e da deputada federal Mara Rocha, ali o Minoru carismático começou a ser visto como político, articulador, que se “vendeu” ao oportunismo por uma chance de vitória e a esperança de outrora começou a ser vista como mais um a dançar conforme a música.
Minoru que cresceu seu nome no berço de uma universidade federal, viu sua chapa se coligar ao Partido Social Liberal (PSL) que elegeu o presidente Jair Bolsonaro (sem partido), conhecido por tecer pesadas críticas ao sistema universitário. Além disso, esteve indiretamente no meio de uma verdadeira guerra verbal entre Major Rocha e o governador Gladson Cameli.
Mesmo com a mudança de partido, ele chegou a liderar a corrida pela prefeitura de Rio Branco em várias pesquisas, até que nos debates, começou a adotar discursos conservadores, em defesa da família tradicional e exaltando suas origens cristãs como pilar de sua campanha, aquele Minoru da Ufac começou a ficar irreconhecível, apático, sem protagonismo, sem ideias inovadoras e passou a repetir discursos convencionais de seu padrinho político.
Minoru, que chegou a declarar que era de centro-direita após questionamentos, se mostrou um bom candidato de extrema direita, não comentou qualquer origem no Partido dos Trabalhadores (PT), a que foi presidente partidário, tentava se esquivar de perguntas nesse sentido com o discurso de que era aberto ao diálogo não importando a ala ideológica, mas começou a dar sinais de aversão ao esquerdismo.
Foi considerado homofóbico pelo público por declarações a respeito de ideologias de gênero e até mesmo em sua zona de conforto, a Ufac, viu complicações, voltou a ser questionado pela construção do chafariz do Campus Rio Branco, onde foram gastos R$ 530 mil.
Queda livre
O resultado não demorou muito, começou a perder percentuais de intenções de voto nas pesquisas, fortalecendo o insistente Tião Bocalom (Progressistas) que tenta a vaga pela terceira vez, Minoru começou a transferir a opção semelhante ao “voto de protesto” que assumiu em 2018 e que tinha tudo para repetir em 2020 para o ex-prefeito de Acrelândia.
Diferentemente do que ocorre em muitas eleições, este voto de protesto não seria um voto no excêntrico, seria o voto na esperança, na nova forma de fazer política, em quem se propõe a ser a mudança. Nesse quesito, ele foi mais uma vez prejudicado pela imagem de Major Rocha, que serviu como um prisma entre Minoru e o eleitor, não existia mais o Minoru da Ufac, passou a existir o Minoru do PSDB, o Minoru coligado ao PSL, o Minoru ‘Rocha’, confundido a população e perdendo a confiança dela.
Com todo o desgaste, o resultado não poderia ser diferente, mesmo tendo liderado pesquisas, Minoru recebeu apenas 25.939 votos ficando em terceiro lugar e fora do segundo turno, com uma diferença bastante expressiva para Tião Bocalom, que por pouco não levou em primeiro turno.




















