Não é novidade que o coronal e ex-comandante da Polícia Militar (PM) no Acre, Ulysses Araújo, é defensor ferrenho do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), mas na manhã desta quarta-feira (31) chamou atenção por uma postagem em homenagem ao período conhecido como ditadura militar.
“Salve 31 de março de 1964. O dia em que o Brasil disse não ao comunismo”, diz a imagem.
O nome do período que foi de 1964 a 1985 é bastante controverso, simpatizantes chamam de regime militar, enquanto outros utilizam o termo ditadura pelos atos praticados durante o período.
A postagem de Ulysses se refere aos que muitos historiadores atribuem a um mito, uma inverdade, que o regime militar no Brasil foi instaurado para evitar a implantação do comunismo no país.
Em 1964, o presidente era João Goulart, falecido em 1976, que assumiu após a renúncia de Jânio Quadros Goulart não era o que se poderia chamar de marxista ou comunista. Antes de ser presidente, ele foi ministro de Getúlio Vargas e Juscelino Kubitschek e estava mais próximo do populismo.
Em entrevista inédita recentemente divulgada, o presidente deposto afirmou que havia uma confusão entre “justiça social” – o que ele pretendia com as Reformas de Base – e comunismo, ideia que ele não compartilhava: “justiça social não é algo marxista ou comunista”, disse. Há também outro fator: pesquisas feitas pelo Ibope às vésperas do golpe, em 31 de março, mostram que Jango tinha um amplo apoio popular, chegando a 70% de aprovação na cidade de São Paulo. Esta pesquisa, claro, não foi revelada à época, mas foi catalogada pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP).
Além disso, a ditadura militar foi um período visto sempre com olhares de medo pela população, já que torturas e assassinatos de presos políticos – e até mesmo de crianças – eram comuns nos “porões do regime”. Até hoje há centenas de desaparecidos. E as práticas são reconhecidas pelos próprios militares.





















