
“Querem transformar o Brasil em uma Cuba” — quem nunca ouviu essa frase durante governos anteriores? A imagem da pequena ilha caribenha foi estereotipada como sinônimo de pobreza, governo autoritário, falta de liberdade de expressão, problemas econômicos, produtos com preços exorbitantes para consumo e um país governado por apenas uma linha ideológica. Um cenário que parece ser caótico, mas hoje não tão incomum com a realidade vivida por grande parte dos brasileiros.
NOTA: obviamente esta não é uma discussão Capitalismo x Socialismo, apenas uma comparação entre o cenário caótico vivido no Brasil comparado ao que pensam sobre como seria viver em Cuba.
As portas do mundo se fecham para brasileiros
Somente em 2013 os cubanos puderam começar a sair da ilha sem uma autorização do governo, já os brasileiros, isso nunca aconteceu no Brasil, mas não significa que você poderá visitar outro país… Não é segredo para ninguém que Bolsonaro é visto pelo resto do mundo como um dos piores líderes durante a pandemia. Como resultado, somos hoje o epicentro da Covid-19 no mundo, superando nossos próprios recordes de casos confirmados e mortes. A cada semana um novo país fecha sua porta de entrada para os brasileiros, a exemplo da Alemanha, Portugal, Espanha, Inglaterra e até vizinhos, como a Colômbia e o Peru.
Fábrica de variantes
O motivo é muito simples, o Brasil não é apenas um país onde o risco de contágio é iminente… A combinação trágica na demora do processo de vacinação com a alta constante no número de infecções dará tempo ao vírus sofrer mutações genéticas e chegar a ser as tão temidas e misteriosas variantes… Mais letais, mais contagiantes e mais resistentes aos imunizantes, como a P.1., a variante de Manaus, já encontrada em outros países.
Autoritarismo
De fato, se vivemos hoje uma ditadura no Brasil, é a ditadura da ignorância. Bolsonaro tem uma capacidade incrível de criar um exército do negacionismo e fazer sua opinião, ainda que leiga, prevalecer diante de estudos e pesquisas das principais universidades do mundo, a ponto de conseguir receitar – em puro curandeirismo – medicações sem eficácia comprovada, a exemplo da cloroquina e da ivermectina.
O alecrim dourado…
Bolsonaro consegue com facilidade fazer com que pessoas prefiram acreditar em um capitão indisciplinado do Exército Brasileiro ao invés das maiores referências de saúde do mundo, como a OMS. Ainda que, vendo o restante do planeta adotarem medidas diferentes e mesmo comparando o cenário caótico vivido no Brasil com outros países que estão aos poucos conseguindo se livrar desse problema que já dura um ano, essas pessoas de alguma forma conseguem isentar as medidas adotadas pelo Governo Federal da culpa… é mole?
A culpa é da imprensa
Não é segredo que muitos jornalistas cubanos já denunciaram as restrições à liberdade de imprensa no país, algo que Bolsonaro parece invejar e deixa isso muito claro a cada entrevista. Adotando o estilo “tolerância zero” com jornalistas, ele faz com que essas pessoas acreditem que ele está sendo perseguido por não ceder as “chantagens por verba de mídia” e aposta no espetáculo circense de dar respostas grosseiras para ouvir aplausos de sua seleta plateia.
Tenta ocultar a verdade
Bolsonaro já solicitou inclusive que o horário de divulgação de dados da Covid-19 no país fosse alterado, apenas para que os telejornais noturnos não pudessem transmitir a real situação, o que ele configura como “gerar pânico”, fazendo com que os veículos de comunicação criassem um consórcio independente que compara dados fornecidos pelas secretarias estaduais.
Capitão Cloroquina
Em seus posicionamentos, Bolsonaro sempre tenta diminuir a pandemia, atendendo aos pedidos da classe elitizada que podem ficar em casa cumprindo isolamento, desde que seus funcionários trabalhem para garantir seu conforto. Se aproveitando também do sentimento de pequenos comerciantes que precisam de seus comércios abertos para o sustento, gerando nessas pessoas o sentimento de que não é necessário fechar, afinal, a mídia sensacionalizou a situação. Para cumprir com seu objetivo, sempre aparece em público sem máscaras, ainda que não permita mostrar seu cartão de vacinação.
OBS.: milagrosamente isso tem mudado desde esta quarta-feira (10)
Uma linha ideológica
Eu não preciso explicar que o projeto de Brasil que Bolsonaro tem é aquele que aniquila totalmente a esquerda e a oposição aos conceitos conservadores e economicamente liberais. Transformar o país em uma nação conservadora de direita, onde somente essas ideias seriam discutidas. (Vide o amor profundo pela ditadura).
À moda venezuelana
Quando a crise na Venezuela começou de fato em 2015, muitos diziam por aqui que os venezuelanos deixaram de comer carne devido ao preço absurdo, essa situação lhe parece familiar? O salário mínimo no Brasil é R$ 1.039… Comprar um quilo de carne a R$ 40, tendo também que lidar com os preços dos alugueis, do gás de cozinha, dos combustíveis e da energia elétrica parece ser tarefa impossível.
Problemas econômicos
Em 2021 deixamos o ranking das 10 maiores economias do mundo (já ocupamos o 6º lugar), ficando atrás da Rússia, do Canadá e da Coreia do Sul.
Uma pitada de história
É óbvio que tudo o que falamos foi apenas para expor alguns dos muitos problemas de governo que enfrentamos, Cuba e Brasil têm trajetórias políticas e ideológicas completamente diferentes. A ilha caribenha ficou isolada devido a um embargo econômico feito pelos EUA, vale lembrar que nem sempre os dois países foram inimigos… Sério! Em 1959 os norte-americanos assistiram de camarote a revolução na ilha, que é localizada a menos de 800 km do estado da Flórida, por exemplo. Um pequeno exército liderado por um estudante de direito depôs o militar Fulgencio Batista do poder e os EUA pouco se lixaram para o desfecho de Cuba, desde que esta mantivesse abertos os cassinos e os prostíbulos.
Foi apenas três anos depois, em 1962, que a “Cuba Socialista” nasceu. Quando Fidel Castro decidiu desestetizar bancos e desapropriar terras norte-americanas no país que os EUA decidiram reagir com o embargo, a intenção era fazer a população cubana passar fome e as autoridades assim cederem às pressões, isso não aconteceu, porque Cuba acabou recebendo suporte da União Soviética em plena Guerra Fria. No Brasil, uma péssima gestão durante a pandemia e o orgulho, soberba e descaso do próprio presidente está nos levando ao abismo. Muitos ao invés de mandarem outros irem para Cuba, hoje querem é ir para lá, onde a vacina é bandeira e o número de casos é menor do que o do Estado do Acre.




















