O ex-prefeito de Porto Walter, Zezinho Barbary, está tentando entender uma denúncia de que pessoas estariam trabalhando em situação análoga à escravidão em sua fazenda, que fica no Bairro Maloca, na cidade do interior do Acre.
A denúncia acabou com uma fiscalização por parte da Polícia Federal (PF), na última quinta-feira (10), e a condução coercitiva do atual secretário de Obras, Viação e Urbanismo da cidade, José Maria Pereira dos Santos, à sede da PF em Cruzeiro do Sul para prestar esclarecimentos.
Isso porque há cerca de três meses, o secretário mora na fazenda, que foi cedida pelo ex-prefeito e amigo pessoal. No momento em que a polícia chegou ao local para averiguar a denúncia, quem estava era Santos e, por isso, ele foi levado.
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Apesar da denúncia, o ex-prefeito e dono da propriedade garante que o local não possui nenhum funcionário e que, inclusive, estava desativado até que resolveu ceder para o amigo criar galinhas, porcos e peixes. Segundo Barbary, o local, que tem cerca de 120 hectares e capacidade para 150 cabeças de boi, atualmente só tem 20 bois.
“Por ela [fazenda] estar sozinha, nem funcionário tem lá, eu cedi para o atual secretário de obras, que é meu compadre, meu amigo, independente de qualquer cargo que ocupe, morar lá. Inclusive, para olhar e não deixar que outras pessoas mexam nas minhas coisas, destruam meus açudes. Então, não tenho uma renda com isso e cedi para ele”, disse o ex-prefeito.
Confusão na denúncia
Entre as hipóteses levantadas pelo ex-gestor que possam justificar a denúncia está algum tipo de rixa política. Como ele tem pretensão de se candidatar nas próximas eleições para deputado estadual, poderia ser algum rival político tentando ferir sua imagem junto à população.
Outra possibilidade seria uma confusão de informação. É que um rapaz que estava na propriedade junto com o secretário no momento em que a polícia chegou para fazer a fiscalização tem o apelido de “escravo”.
Segundo o ex-prefeito, esse rapaz seria um prestador de serviço para a prefeitura, contratado há cerca de 40 dias para o cargo de auxiliar de mecânico, e é conhecido na cidade por esse apelido.
A mesma hipótese foi levantada pelo secretário de obras. Ele disse que, na verdade, na cidade ninguém conhece o rapaz pelo nome dele e sim somente pelo apelido. Ele contou que o rapaz trabalha na prefeitura e que vez ou outra aparece pela fazenda para conversar e acaba dormindo por lá.
Por isso, tanto o secretário, como o ex-prefeito acreditam que possa ter havido essa confusão na denúncia feita à Polícia Federal.
“Quando cheguei na fazenda, eles [agentes da PF] já estavam lá. Minha esposa estava lá com essa pessoa, que o nome é José, mas que tem o apelido de ‘escravo’. Então, ou foi por conta disso, ou foi alguma rixa política”, disse o secretário.
Ao site G1 Acre, o delegado da Polícia Federal em Cruzeiro do Sul, Fabrício Souza, disse que não pode nenhuma informação sobre a investigação. “O que posso garantir é que não atuamos tampouco somos envolvidos com rixas políticas. Nosso foco é apenas o fato.”




















