PELO 2º DIA

Pazuello volta a dar depoimento à CPI da Pandemia nesta quinta-feira; acompanhe


A CPI da Pandemia retoma nesta quinta-feira, 20, o depoimento do ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello. Depois de mais de sete horas de questionamentos na quarta-feira 19, a reunião da comissão teve de ser suspensa após o general da ativa passar mal e também devido às votações no plenário do Senado. Ainda estão inscritos 23 parlamentares para fazer perguntas ao ex-chefe da Saúde.

Perguntado no início do segundo dia de sessão sobre o colapso em Manaus, Pazuello afirmou que a secretaria estadual de Saúde do Amazonas não tinha como foco a preocupação com o acompanhamento do nível do oxigênio. O ex-ministro acrescentou que a empresa White Martins não se posicionou “de forma clara” quanto a suas reservas de oxigênio.

Sobre o TrateCov, aplicativo do Ministério da Saúde que recomendava cloroquina, o general afirmou que a plataforma foi idealizada pela médica Mayra Pinheiro para servir como uma “calculadora que facilite o diagnóstico”. Pazuello afirmou que a plataforma foi “hackeada” e tirada do ar. O general completou dizendo que o TrateCov acabou “descontinuado” após o suposto ataque e não foi usado por médico nenhuma. O presidente Omar Aziz ironizou a resposta: “O hacker é tão bom que conseguiu colocar o programa em uma matéria extensa na TV Brasil”.

No primeiro dia de audiência, o mais longevo titular da pasta durante a pandemia afirmou que nunca “recebeu ordens diretas pra nada” de Jair Bolsonaro e assumiu a autoria de todos os atos à frente do ministério. Disse ainda que respostas à Pfizer foram dadas ‘inúmeras vezes’ desde agosto de 2020, contrariando o depoimento do ex-presidente da farmacêutica no Brasil Carlos Murillo. O general negou que Bolsonaro tenha lhe dado ordens para desfazer um acordo com o Butantan pela CoronaVac, o que contradiz declaração do próprio presidente. Segundo ele, o governante teve apenas uma “reação política” a falas de João Doria, mas não formalizou qualquer ordem contra a vacina.

Na avaliação do presidente da CPI, Omar Aziz (PSD-AM), Pazuello se esquivou de algumas perguntas no primeiro dia. Omar opinou não ver necessidade de quebrar os sigilos do ex-ministro. Já o vice-presidente da CPI, Randolfe Rodrigues (Rede-AP), e o relator, Renan Calheiros (MDB-AL), afirmaram que o general mentiu várias vezes aos parlamentares, além de omitir informações.

Para Randolfe, as contradições do depoimento mostram que Pazuello terá de ser acareado com outros depoentes da CPI da Covid. Para Renan, o ex-ministro estava “fingindo responder” e negou as próprias declarações que fez anteriormente.

Em defesa do depoente, o senador Marcos Rogério (DEM-RO) afirmou que Pazuello respondeu a todas as perguntas e não se esquivou de questionamentos. Em sua opinião, nenhum dos depoentes da CPI, até agora, afirmou que houve interferência indevida do presidente Bolsonaro no Ministério da Saúde. Rogério acredita também que não houve mentiras nem contradições nas falas de Pazuello aos senadores.

Como o depoimento de Pazuello continua nesta quinta, a audiência com Mayra Pinheiro, secretária de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde do Ministério da Saúde, conhecida por ser defensora da cloroquina e pela alcunha ‘Capitã Cloroquna’, foi adiada para a próxima terça-feira, 25.

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André Diogo