Na sessão remota da Assembleia Legislativa do Acre nesta terça-feira (6), o deputado Edvaldo Magalhães (PCdoB) usou o seu tempo de fala para comentar sobre a crise política vivida entre o governador Gladson Cameli (Progressistas) e seu vice, Major Rocha (PSL).
— “Está claro e público que é grave a situação das relações duras, para não utilizar a palavra adequada, entre os integrantes de uma aliança que há menos de três anos prometeu ao Acre reconstrução, pacificação, muito trabalho e muita gestão, porque dinheiro tinha. Os que estavam juntos, hoje além de estarem separados, estão em guerra. Numa disputa política que já extrapolou os limites da crítica política, da denúncia dura, normal, nas disputas políticas”.
Em seguida, o deputado comentou a entrevista que Gladson concedeu ao colunista Luis Carlos Moreira Jorge, que assina o Blog do Crica, no ac24Horas, citando o que considera uma contradição do governador, que disse que não comentaria sobre política neste ano de pandemia, mas que segundo, segundo Edvaldo: “abriu a disputa eleitoral” para 2022.
— “Ele tinha dito que não trataria de política no meio da pandemia, desdisse quando tomou essa iniciativa [entrevista]. Naquele telefonema [ao Crica] ele anunciou expurgo de aliados, recomposição do governo, reunião pra reconstrução de sua aliança com o MDB, separação definitiva com seu vice, corda no pescoço dos cargos indicados pelo senador Sérgio Petecão. E por aí foi, com seu telefonema, abriu com essa atitude a disputa eleitoral que ele dizia que não queria tratar nesse ano, uma contradição”, disse.

Por fim, Edvaldo chamou a atenção ao alertar o governador sobre os riscos que a situação pode trazer. Ele lembrou da morte de Edmundo Pinto (extinto PDS), o ex-governador foi assassinado a tiros em 1992 na cidade de São Paulo.
— “Abriu-se uma disputa, pra ver quem primeiro vai bater o recorde da crise entre governador e vice, que chegou no ápice da política do Acre, na época de Edmundo Pinto e Romildo Magalhães. Quando o governador viajava, o vice assumia, cortava cabeça dos secretários que ele não se relacionava. Governador voltava, readmitia os secretários, e a crise se aprofundou tanto, que terminou como terminou, que a história registra, ainda com acontecimentos não esclarecidos”.

Edvaldo não foi o único a advertir Gladson deste risco, o jornalista Altino Machado usou o seu perfil pessoal no Facebook para também fazer o alerta. Altino também citou as mortes do coronel Plácido de Castro, que comandou as tropas na Revolução Acreana; e dos sindicalistas Wilson Pinheiro, assassinado a mando de latifundiários em 21 de junho de 1980 e Chico Mendes, morto ao levar um tiro à queima roupa na porta dos fundos de sua casa, em 22 de dezembro de 1988. Leia a nota na íntegra:
“Querido governador Gladson Cameli, a história do Acre é marcada por assassinatos decorrentes de complôs que se formaram no ambiente político: o libertador do Acre Plácido de Castro, os sindicalistas Wilson Pinheiro, Chico Mendes e o governador Edmundo Pinto.




















