Quando passa o terremoto, o que fazer?


Todos nós em algum momento de nossas vidas passaremos pelos terremotos da vida. Alguns de nós passaremos pelo terremoto da demissão, do divórcio, do amor não correspondido, da perda de algum ente querido, do terremoto da tragédia. Mas, a grande pergunta é, o que fazer depois que o terremoto passa?

No artigo de hoje trarei, baseado em um episódio que aconteceu em 1755, mais precisamente em Portugal, extrairemos algumas diretrizes que nos norteará no que fazer depois que o terremoto, a luta, a decepção passar.

E espero que você que esteja lendo essa coluna no dia de hoje possa tomar as devidas providências para se reerguer, levantar a cabeça e continuar na jornada da vida. Porque pasme você, ninguém não está nem aí para a sua dor, para sua derrota, sua crise. Então é hora de parar de se fazer de vítima e tomar as rédeas da sua história e começar a reescrevê-la.

Precisamos primeiramente nos situar que terremoto foi esse que destruiu Lisboa. Pois bem, segundo o site Wikipédia, o Sismo de 1755, também conhecido por Terremoto de 1755, ocorreu no dia 1 de novembro de 1755, resultando na destruição quase completa da cidade de Lisboa, especialmente na zona da Baixa, e atingindo ainda grande parte do litoral do Algarve e Setúbal. O sismo foi seguido de um maremoto – que se crê tenha atingido a altura de 20 metros – e de múltiplos incêndios, tendo feito certamente mais de 10 mil mortos (há quem aponte muitos mais. Foi um dos sismos mais mortíferos da história, marcando o que alguns historiadores chamam a pré-história da Europa Moderna. Os sismólogos estimam que o sismo de 1755 atingiu magnitudes entre 8,7 a 9 na escala de Richter.

É ou não é uma grande catástrofe o que ocorreu nessa época em Portugal? Mas o que me chama mais a atenção é no modo como Lisboa se reergueu após essa tragédia. E isso por causa de três grandes e sábios conselhos de um nobre general ao seu rei. E é daqui que tiraremos grandes lições para também nos reerguermos das cinzas de necessário for.

Dizem que passado o terremoto, o rei Dom José perguntou ao General Pedro D Almeida, Marquês de Alorna, o que se havia de fazer. Ele respondeu ao rei: Sepultar os mortos, cuidar dos vivos e fechar os portos. Essa resposta simples, franca e direta tem muito a nos ensinar. E você pode me perguntar, que lições podemos tirar desse conselho a D. José?

Muitas vezes temos em nossa vida profissional e mesmo pessoal, terremotos avassaladores como o de Lisboa no século XVIII. A catástrofe é tão grande que muitas vezes perdemos a capacidade de raciocinar de forma simples, objetiva. Todos nós estamos sujeitos a terremotos na vida.

1ª LIÇÃO: SEPULTAR OS MORTOS

Sepultar os mortos significa que não adianta ficar reclamando e chorando o passado. É preciso sepultar o passado. Colocar o passado debaixo da terra. Isso significa esquecer”o passado. Pouco ou nada resolve abrirmos uma sindicância para descobrir os culpados pelo terremoto. Também não adianta ficarmos discutindo como teria sido se o terremoto não tivesse ocorrido. Ou ainda se Lisboa estivesse situada fora da falha geológica que gerou o terremoto. Enterrar os mortos. E a verdade é que muitas pessoas têm enorme dificuldade em enterrar os mortos. Ficam anos e anos em atitude de um eterno velório. Passado o terremoto, lembre-se, a primeira coisa a ser feita é enterrar os mortos. Que mortos você precisa enterrar na sua vida?

2ª LIÇÃO: CUIDAR DOS VIVOS

Cuidar dos vivos significa que depois de enterrar o passado, temos que cuidar do presente. Cuidar do que ficou vivo. Cuidar do que sobrou. Cuidar do que realmente existe.  Fazer o que tiver que ser feito para salvar o que restou do terremoto. Dar foco ao presente só será possível se enterrarmos os mortos, esquecermos o passado. Cuidar dos vivos significa reunir pessoas e bens que sobreviveram ao terremoto e rearranjá-los de forma a servirem para a reconstrução, para o novo. Muitas pessoas não conseguem dar foco ao presente para cuidar dos vivos. Vivem o tempo todo na ilusão do que poderia não ter ocorrido. Não conseguem se desligar. Não têm energia para cuidar dos vivos. Quais são os vivos que sobrou depois do terremoto em sua vida? A partir de agora cuide deles.

3ª LIÇÃO: FECHAR OS PORTOS

Fechar os portos significa não deixar as portas abertas para que novos problemas possam surgir ou vir de fora” enquanto estamos cuidando dos vivos e salvando o que restou do terremoto de nossa de nossa vida.  Significa não permitir que novos problemas nos desviem do cuidar dos vivos. Fechar os portos também é necessário porque quando você está passando por um terremoto, seus adversários e inimigos sabem de sua fragilidade e possível desesperança. E aí quererão aproveitar-se de sua fraqueza. Se você deixar seus portos abertos poderá ter que lutar contra os invasores, vampiros e abutres que virão espreitar a sua desgraça. Feche os portos!

Quais são os portos de nossas vidas? Fechar nossos ouvidos para o negativo. Quantas vezes deixamos os vivos morrer por darmos ouvidos para os agentes negativos da vida. Que vivem nos dizendo que não vai dar, que não tem jeito, que já era, ou ainda que não tem mais solução? Eu lhe digo, feche seus ouvidos, ou seja, seus portos para o que quer que seja e enterre seus mortos e cuide dos vivos.

Os conselhos do Marquês de Alorna a D. José são de uma sabedoria indiscutível. Que assim como serviram para a reconstrução de Lisboa em 1755 sirvam para nossas vidas neste século XXI principalmente quando essa pandemia passar.

É assim que a história nos ensina. Por isso a história é a mestra da vida. Portanto, quando você enfrentar um terremoto, não se esqueça: enterre os mortos, cuide dos vivos e feche os portos!

Que a partir desse artigo você venha se despertar, pois esse é um dos intuitos dessa coluna, lhe instrumentalizar para que viva mais e melhor.

Pense nisso. Sucesso.

 

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André Diogo

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