OPINIÃO

Sem surpresa, João Marcos Luz é escolhido para ser líder de Bocalom e confirma troca ‘desproporcional’ na Câmara


O Correio 68 já havia adiantado que com a mudança na composição dos vereadores de Rio Branco, haveria uma troca ‘desproporcional’. Deixa a Câmara um dos maiores críticos ao prefeito Tião Bocalom (Progressistas) na primeira metade de sua gestão e assume aquele que viria para ser seu líder na Casa.

Estamos falando da saída de Emerson Jarude — hoje deputado estadual — para a entrada do ex-vereador João Marcos Luz, ambos do MDB.

A César o que é de César… Como vereador, Jarude foi um dos maiores fiscalizadores da gestão de Bocalom. Foi um dos dois únicos a votar em favor da abertura de um processo de impeachment contra o chefe de executivo, além de ter sido contrário a pedido de viagens a Europa e no caso do subsídio às empresas de transporte coletivo durante a crise na categoria.

Do outro lado da crise do transporte, estava João Marcos Luz, nomeado como diretor na RBTrans (Superintendência Municipal de Transporte e Trânsito). Luz assume como vereador pela segunda vez como suplente, a primeira tinha sido no lugar de Roberto Duarte, que também saiu para a Aleac (Assembleia Legislativa), em 2019.

Aplausos para quem?

Como vereador, João Marcos Luz teve um mandato mais pautado por polêmicas e poucos projetos. Foi ele o autor de um pedido de moção de aplausos a Jair Bolsonaro (PL) por — pasmem — sua atuação na pandemia de Covid-19, ao mesmo tempo em que o mundo inteiro criticava as medidas do ex-presidente e apontava atos falhos na Saúde. Por questão lógica, o pedido foi vetado pelos colegas.

“Me erra, meu irmão”

Em julho de 2020, João Marcos Luz levou um “carão” público de Lene Petecão (PSD) após ele ter cobrado em sessão mais oposição à ex-prefeita Socorro Neri — hoje deputada federal. A vereadora pediu para que o colega “a errasse” e que nunca viu alguém ganhar eleição falando mal de alguém.

Faltou análise técnica

Em agosto daquele ano, foi a vez do ex-engenheiro da prefeitura, Francildo Chaves, dar seu ‘puxão de orelha’ no vereador. João Marcos Luz gravou um vídeo criticando uma obra de asfaltamento no bairro Apolônio Sales afirmando que estavam “jogando dinheiro público fora”. Francildo emitiu nota de repúdio, apontando inverdades nas falas de Luz e disse que o vereador, que é leigo no assunto, julgou o projeto de forma sensacionalista: “senhor vereador, sejamos técnicos, respeite as demais profissões, esse não é o papel de um representante do povo”, declarou Francildo.

Faltou análise técnica… de novo

Após sugerir aplausos a Bolsonaro, Luz foi cobrado por ter sido contra a mesma moção ao médico da linha de frente Thor Dantas. Na ocasião, o vereador disse que o infectologista “errou todas as previsões sobre a pandemia”. Não demorou, o parlamentar foi ironizado pelo próprio médico: “realmente: o vírus não chegou no Acre, o número de casos foi insignificante, ninguém morreu, as UPAs não lotaram, as UTIs não estão no limite, não precisou de hospital de campanha, ninguém precisa se preocupar com isso… tudo fake. Melhor olhar os dados com atenção, amigo”.

Sem surpresa

João Marcos Luz o escolhido para ser o líder de Tião Bocalom na Câmara. Sobre o convite, ele declarou:

“Ser líder do prefeito Bocalom é um privilégio. Já temos uma caminhada juntos e irei trabalhar aqui junto aos meus pares para termos um trabalho transparente, coeso e que nos mantenha independentes, porém em harmonia com o Executivo”, diz. 

Com esse histórico, casando com as polêmicas em que já se envolveu Bocalom em sua gestão, não fica difícil afirmar que João Marcos não era a Luz que a Câmara precisava.

Post navigation

Avatar de André Diogo

André Diogo