ARTIGO DE OPINIÃO

Uma pitada de História, um cafezinho e a conta – O impeachment de Collor de Melo


O ano era 1992, mês de dezembro. O país comemorava o afastamento do presidente Fernando Collor de Mello. O primeiro presidente eleito pelo voto popular após a ditadura militar acabara de renunciar para evitar o impeachment. Não adiantou. Os 81 senadores presentes à sessão do dia 29 de dezembro de 1992, mesmo após carta renúncia enviada por Collor de Melo, momentos antes da votação do impeachment, mantiveram o “espetáculo” e com esmagadora maioria afastou o presidente que já havia renunciado, tornando-o assim inelegível por oito anos.

Depois de 16 horas de sessão, que mais pareceu um espetáculo circense, Por 76 votos favoráveis e três contrários (dois senadores se ausentaram do plenário), Fernando Collor foi condenado à inabilitação para o exercício de função pública por oito anos.

Collor se destacou durante a campanha, por ser jovem, propor o combate à inflação e a caça aos marajás, que eram funcionários públicos que não compareciam ao trabalho, mas que continuavam a receber seus polpudos salários. Venceu a eleição no segundo turno contra o petista Lula da Silva, com apertada diferença: 53,03% a 46,97%.

Assim que tomou posse, Collor instituiu o Plano Collor e confiscou depósitos bancários que ultrapassassem a quantia de 50 mil cruzeiros. O intuito era controlar a inflação, mas o plano não foi bem-sucedido e houve fechamento de empresas e aumento do desemprego.

Em passeata, estudantes dão o seu recado em cores e palavras de ordem inconfundíveis. — Foto/O Globo

Motivado por ciúme, seu irmão Pedro Collor (1956 – 1994) revelou em entrevista a revista Veja que Fernando Collor estaria envolvido em um caso de desvio de dinheiro e que teria usado a campanha eleitoral como caixa 2. E que, assim, muito dinheiro fora desviado das verbas públicas através de criação de empresas fantasmas e contas no exterior. PC Farias – apelido de Paulo César Farias (1945-1996) – foi o tesoureiro da campanha de Collor e durante o seu governo esteve muito próximo ao presidente. Supostamente, teria sido seu “testa de ferro” em várias negociações.

A entrevista de Pedro Color, somada a uma inflação galopante e a um alto índice de desemprego, levou o povo às ruas. Sobretudo os jovens, que ficaram conhecidos como “os caras pintadas”, pois pintavam as faces de verde e amarelo em protesto que foi denominado de Movimento Fora Collor.

No dia 11 de agosto de 1992, dez mil pessoas se reuniram em frente ao Museu de Arte de São Paulo (MASP) em São Paulo para protestar contra o presidente. Na sequência, Collor fez pronunciamento em rede nacional e pediu que os cidadãos vestissem as cores do Brasil no domingo próximo, em resposta ao acontecimento e em sinal de apoio ao presidente. Todavia, nesse que ficou conhecido como o Domingo Negro, a resposta da população foi se vestir de preto. Milhares de brasileiros foram às ruas vestidos de preto, confirmando assim o sentimento de revolta contra o presidente e sua política econômica.

Após declarada a sua destituição, o vice-presidente Itamar Franco (1930-2011), assumiu a presidência do Brasil, terminando o mandado em 1º de janeiro de 1995 e ajudando a eleger o seu sucessor, o então ministro da economia, Fernando Henrique Cardoso.

 

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André Diogo