ECONOMIA

SERVIÇO: Funcionários dos Correios Entram em Greve por Tempo Indeterminado, após Campanha Salarial sem Acordo


Paralisação Começou na Noite de Quinta-Feira (10), Colocando Direitos dos Trabalhadores e Crise Financeira da Estatal no Centro do Debate

A paralisação abre uma nova fase da campanha salarial dos funcionários dos Correios e aumenta a pressão sobre a direção da empresa e o governo federal. Com a estatal enfrentando prejuízos bilionários, as próximas rodadas de negociação deverão definir os rumos do movimento e das reivindicações dos trabalhadores.

Os funcionários dos Correios entraram em greve por tempo indeterminado em diferentes regiões do país. A paralisação foi aprovada em assembleias realizadas pela Federação Interestadual dos Empregados da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos e Similares (Findect) e começou às 22h de quinta-feira (10).

Segundo a entidade, a greve representa uma nova etapa da campanha salarial da categoria, diante da falta de acordo nas negociações com a direção dos Correios.


Plano de Saúde Está Entre os Principais Pontos de Impasse

Um dos principais motivos de discordância envolve o plano de saúde oferecido aos trabalhadores. De acordo com a Findect, os Correios propuseram mudanças na estrutura de manutenção do benefício, incluindo alterações na responsabilidade da empresa pelo financiamento e pela gestão do plano.

A entidade sindical afirma que a categoria considera a preservação do plano de saúde uma das principais reivindicações neste momento.

Em nota, a Findect defendeu o fortalecimento da mobilização dos trabalhadores e cobrou uma nova proposta da empresa e do governo federal.

“Com a greve deflagrada, o momento agora é de ampliar a mobilização, fortalecer a organização nas unidades e cobrar uma resposta da direção dos Correios e do governo federal. A categoria exige uma proposta que preserve direitos, proteja o plano de saúde e respeite quem mantém a empresa funcionando diariamente em todo o Brasil”, afirmou a entidade.


Greve Ocorre em Meio à Crise Financeira dos Correios

A paralisação acontece enquanto os Correios colocam em prática um plano de reestruturação financeira para o período de 2025 a 2027.

O programa prevê uma série de medidas para tentar melhorar a situação financeira da estatal, entre elas a captação de recursos, redução de despesas, aumento de receitas e venda de ativos.

De acordo com a apresentação do plano, a empresa estimou uma redução anual de aproximadamente R$ 4,2 bilhões em despesas, além de um aumento de R$ 1,7 bilhão em receitas e a obtenção de R$ 1,5 bilhão com a venda de imóveis.

Entre as iniciativas previstas estão também um Programa de Demissão Voluntária (PDV), renegociação de contratos e passivos, mudanças no plano de saúde dos funcionários e fechamento de parte das agências.


Prejuízo Bilionário Aumenta Pressão Sobre a Estatal

A situação financeira dos Correios é um dos fatores que ampliam a pressão sobre a empresa durante a campanha salarial.

A estatal encerrou 2025 com prejuízo de R$ 8,5 bilhões, registrando o quarto resultado anual negativo consecutivo desde 2021.

No primeiro semestre de 2026, os Correios registraram novo prejuízo líquido, de R$ 5,55 bilhões, segundo os dados apresentados no material divulgado pela empresa.

O cenário coloca de um lado a necessidade de reestruturação financeira da estatal e, de outro, as reivindicações dos trabalhadores por manutenção de direitos e melhores condições de trabalho.


O Que Pode Acontecer Durante a Greve?

A duração da paralisação dependerá do andamento das negociações entre os representantes dos trabalhadores e os Correios.

A Findect afirma que pretende ampliar a mobilização e pressionar a empresa por uma proposta que atenda às reivindicações da categoria. Enquanto isso, eventuais impactos sobre o funcionamento dos serviços dependerão da adesão dos funcionários em cada região.

A greve ocorre, portanto, em um momento de forte tensão entre a necessidade de ajuste financeiro dos Correios e as reivindicações dos trabalhadores, especialmente em relação ao plano de saúde e à preservação de direitos.


A greve dos Correios tem prazo para terminar?
Não. Segundo a Findect, a paralisação foi deflagrada por tempo indeterminado.

Quando a greve começou?
A paralisação começou às 22h de quinta-feira (10), após assembleias realizadas pelos trabalhadores.

Por que os funcionários dos Correios entraram em greve?
Segundo a Findect, a falta de acordo na campanha salarial e as propostas de mudança no plano de saúde estão entre os principais pontos de conflito.

A crise financeira dos Correios influenciou a negociação?
A greve ocorre durante um processo de reestruturação financeira da estatal, que prevê redução de despesas, aumento de receitas, venda de ativos e outras medidas de contenção de custos.

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Ana Cristina - Redatora