Foto: Klauson Dutra/CBN
Manifestantes Reagem ao Tarifão de Trump e Cobram Justiça Tributária
Na noite desta quinta-feira (10), a Avenida Paulista, em São Paulo, foi palco de um grande protesto contra o aumento de 50% nas tarifas de importação impostas pelos Estados Unidos aos produtos brasileiros, anunciado pelo ex-presidente Donald Trump. A manifestação também cobrou do Congresso Nacional a aprovação da taxação dos super-ricos, a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil e o fim da jornada de trabalho na escala 6×1.
Organizado por frentes populares, centrais sindicais e partidos de esquerda, o ato começou por volta das 17h em frente ao MASP, com concentração crescente até atingir cerca de 15 mil participantes às 19h30, segundo monitoramento com drones. Os manifestantes ocuparam ambos os sentidos da via, exibindo faixas e cartazes contra o “imperialismo americano”, o ex-presidente Jair Bolsonaro, o governador de São Paulo Tarcísio de Freitas e o deputado federal Eduardo Bolsonaro, apontados como responsáveis pela crise diplomática entre Brasil e EUA.
A decisão de Trump de aumentar as tarifas foi justificada pelo presidente americano como retaliação ao processo judicial contra Bolsonaro no Brasil, o que os organizadores do protesto classificaram como uma ingerência estrangeira e um ataque à soberania nacional. Durante o ato, um boneco representando Trump foi queimado em sinal de repúdio, enquanto palavras de ordem como “soberania brasileira” e “sem anistia” ecoaram entre os participantes.
O deputado federal Guilherme Boulos (PSOL-SP), um dos líderes da manifestação, afirmou que o governo Lula deve responder com medidas recíprocas para defender a soberania do país. Ele criticou ainda a postura do governador Tarcísio de Freitas, destacando que São Paulo, principal estado industrial do Brasil, será um dos mais prejudicados com o aumento das tarifas.
Além da pauta internacional, o protesto manteve o foco em demandas sociais internas, como a justiça tributária, a taxação dos super-ricos e o fim da jornada exaustiva 6×1, que afeta trabalhadores em setores específicos. A mobilização reforçou a insatisfação com o Congresso Nacional, especialmente com o Centrão e a extrema direita, acusados de defender privilégios empresariais e financeiros em detrimento da classe trabalhadora.
Este protesto na Avenida Paulista evidencia a crescente tensão entre os interesses econômicos nacionais e as pressões externas, além de ressaltar a urgência de reformas tributárias que promovam maior equidade social no Brasil.
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